24.5.16

Sociedade | Coisas que me ultrapassam

Pessoas (também elas emigrantes) que organizam palestras na Universidade para que os estudantes percebam como é realmente importante exercerem o seu direito/ dever ao voto no referendo do próximo mês, mas depois dizem-me "se bem que eu não vou votar porque como tenho passaporte Inglês isto não me irá afectar." 

Independentemente da decisão que os Ingleses tomem a verdade é que ninguém ficará imune. Acho realmente impressionante que algumas pessoas ainda achem que os únicos afectados, se o Reino Unido sair da União Europeia, serão os emigrantes ignorando que haverá outras consequências  que afectarão todos os cidadãos que se encontrem a viver no Reino Unido. 

18.5.16

Mistérios da vida

Fui à H&M e apaixonei-me por dois pares de calças. Estando ambos em promoção não pensei duas vezes e acabei por comprar os dois pares de calças, no entanto existem dois aspectos que merecem ser partilhados com o mundo: 1) um dos pares é tamanho 36 e o outro é tamanho 40; 2) o tamanho 40 é  mais ou menos 2cm mais pequeno do que o par 36. E eu que já pouco ligava a esta coisa dos tamanhos cada vez ligo menos.

12.5.16

Pessoal | Acerca dos filhos únicos



"Egoístas. Egocêntricos. Têm tudo aquilo que querem. São super protegidos pelos pais. Não vivem sem os pais. Os pais não vivem sem eles. Manipuladores. Podia continuar, mas nada de bom iria aparecer por aqui porque tudo aquilo que a sociedade teima em afirmar acerca dos filhos únicos encontra-se recheado de defeitos sem que apareça qualquer qualidade. Pelos vistos só os filhos únicos é que não conseguem viver sem os pais e estes sem eles e eu a pensar que isso acontecia com todos aqueles que têm uma boa relação com os seus pais... Bem, pelos vistos estava enganada. 

Incomoda-me que me façam questões acerca de como os meus pais reagiram quando lhes disse que em Setembro (ou mais tarde, depende) irei viver para o Reino Unido com o meu namorado porque "como sou filha única" poderiam não ter reagido bem; ou acerca de como será para mim viver com o meu namorado longe dos meus pais porque "como sou filha única"... Pergunto-me o que esperam que eu lhes diga. Querem que lhes responda que sim, que vou morrer de saudades dos meus pais porque não vou poder vê-los todos os dias como até agora tem vindo a acontecer? Querem que lhes diga que nos primeiros dias vou chorar baba e ranho? Querem que lhes diga que vou ter saudades das minhas gatas e das saídas com as minhas amigas? Que vou sentir a falta da minha cama, da comida boa que a minha mãe faz e que até dos dias em que ela me faz correr todos os supermercados que existem aqui na zona vou ter saudades? Contudo, de que forma é que tudo isto se relaciona com o facto de eu ser filha única? Por mero acaso os filhos não únicos não sentem o mesmo? Já para não falar das questões acerca se a nossa relação está preparada para este passo... Depois de namoramos há seis anos se ainda existissem duvidas acerca disso eu diria que algo estaria muito mal na nossa relação e talvez a melhor solução fosse cada um de nós seguir o seu próprio caminho. Acontece que não se passa nada disso. Ambos queremos e ambos estamos prontos para dar esse passo!

Só sei que de todas as pessoas que andam muito preocupadas com este tipo de questões os meus pais são os únicos que não colocam em causa coisa nenhuma. Se calhar são os únicos para além de mim, do meu namorado (e amigas) a ter fé nisto tudo e que sabem que do longe se faz perto e que facilmente me poderão visitar assim como eu."

18 de Maio de 2013

10.5.16

I'll give you the sun

Foi há quatro dias que li o melhor livro da minha vida. Ainda estou a assimilar tudo aquilo que aquele livro proporcionou em cada célula do meu corpo. Já li livros muito bons ao longo dos meus vinte e seis anos, mas nenhum que fosse tão mágico e indescritível como este. I'll give you the sun (Eu dou-te o sol na versão Portuguesa) de Jandy Nelson trouxe magia e o sol à minha vida. 

Cotação Goodreads: 4.15/5
A minha cotação: 5/5
I'll give you the sun é um livro acerca da vida de dois irmãos que têm a particularidade de serem gémeos. Umas vezes a história é-nos contada pela perspectiva de Noah e outras vezes pelo olhar da Jude. Aos 13 anos Noah era um rapaz tímido e solitário que aproveitava todos os momentos para desenhar e pintar. É também com esta idade que se apaixona pela primeira vez e aprende a lidar com todos os sentimentos que giram à volta do rapaz que vive na casa ao lado da sua. Jude por sua vez é uma jovem rebelde que adora saltar das ravinas para mergulhar no mar e fazer esculturas de areia. Três anos depois (quando ambos têm 16 anos) e depois de um acontecimento que afectou a vida de ambos percebemos que a proximidade que antes existia entre eles se encontra profundamente abalada. Noah desistiu de pintar e Jude tenta ser invisível aos olhos dos outros. Noah e Jude mal falam um com o outro ignorando o facto de que cada um deles conhece metades distintas da história da sua vida e que só conseguirão seguir em frente depois de se reaproximarem pois só assim poderão, juntos, reconstruir o seu mundo.

I'll give you the sun é um livro que fala de reconciliação e de como, eventualmente, o sol volta a brilhar na nossa vida. Fala também de amor, mas o amor é apenas parte da história. É ainda um livro que nos mostra de uma forma engraçada e peculiar aquilo em que eu sempre acreditei: todas as pessoas que surgem na nossa vida surgem por um motivo e não por acaso.  
Dei como cotação no Goodreads 5 estrelas, mas se pudesse este teria um milhão e mais outro como cotação. Existem livros muito bons, mas este é extraordinariamente fantástico. E belo.

Por fim deixo-vos uma música que ouvi pela primeira vez enquanto fazia o almoço de sábado e que a ouvi-la só pensei "Isto é tão Jude e Noah!"

Portugal. The man - The Sun

7.5.16


Existem livros que queremos ler com toda a calma do mundo como se estivéssemos a saborear pela primeira e última vez o néctar dos Deuses e depois há outros em que queremos devorá-los como se o mundo fosse acabar amanhã e não quiséssemos correr o risco de ficar a meio da história. 

6.5.16

Pessoal | Um jardim sem flores vs um enorme prado com flores selvagens

A altura em que todas as minhas amigas começam ou a casar ou a ter filhos chegou. É um facto. Daqui a doze dias casa uma, em Agosto outra, outra prepara-se para o nascimento da sua primeira filha e entretanto a minha mãe lembra-se de começar a dizer-me que um casal sem filhos é como um jardim sem flores como que a dizer-me "Raspberry estás quase a fazer 27 anos, já namoras há uma carrada de anos e para além de ainda não terem casado ainda não me dás netos, como te atreves?!" ou então simplesmente está a dizer-me que eu e ele somos um casal incompleto por ainda não termos cedido às leis da sociedade.

Sempre soube que me queria casar assim como sempre fiz questão de acompanhar esta afirmação com um "mas". O meu mas resumia-se à vontade de casar, mas não pela Igreja porque não sinto que necessite da aprovação da religião para que o meu casamento seja válido. Sim, da religião porque Deus se ele existe deve aprova-lo independentemente deste estar ligado ou não a qualquer tipo de religião. No inicio a minha mãe dizia-me para não dizer "asneiras", mas com o tempo habituou-se à ideia e talvez seja por isso que não me chateie acerca do porquê de ainda não nos termos casado. Apenas não o fizemos porque ainda não temos condições para o fazer como realmente queremos e se não as temos não vamos casar só porque sim. Ponto. No entanto, nunca preparei o coração da minha mãe para a possibilidade de vir a ter filhos tão ou mais tarde do que ela se é que alguma vez os terei e portanto aquele enorme coração desejoso por ter netos apoquenta-se com o facto de as pessoas à sua volta já terem netos e ela não. 

A verdade é que até bem pouco tempo não sabia se queria ser mãe e apenas não o dizia em voz alta porque até a mim me incomodava não sentir nada quando via bebés. Quando digo que não sentia nada era mesmo um não sentir. Apenas olhava para eles como sendo coisas incapazes de fazer coisas. Achava incrivelmente estúpido as tentativas forçadas de interagir com eles. Achava parvas aquelas vozes finas que quase todas as pessoas fazem na presença destes pequenos seres. Não lhes achava piada e sempre que alguém se atrevia a pôr-me um bebé nos braços eu só ficava a olhar para "aquilo" e a pensar "sim e agora? O que querem que eu faça com isto?" e tratava logo de o largar nos braços de outra pessoa. Simplesmente não sentia. Não sentia empatia por bebés o que fazia com que não sentisse vontade de ser mãe. Reparem que estou a usar o passado. Não sentia, mas já sinto. No ano passado passaram-me uma vez mais um bebé para os braços e de repente senti. Gostei de ter aquela coisa fofa com olhos gigantes de quem desconhece o mundo e que está pronto para absorver tudo o que o rodeia no calor do meu abraço. Gostei de o olhar e o ver a sorrir-me e a fazer-me sorrir. Foi naquele momento que percebi que afinal o desejo de ser mãe habita em mim, mas é um desejo calmo e sereno. Sem pressa. 

Continua a incomodar-me que me perguntem quando é que tenho filhos como se eu devesse qualquer tipo de justificação. Incomoda-me ainda mais quando a minha mãe me diz que um casal sem filhos é como um jardim sem flores acompanhado por um grande grau de sentimentalismo enquanto me diz que o dia em que nasci e me pegou nos braços foi o dia mais feliz da sua vida e da vida do meu pai. Eu acredito nela, a sério que acredito. Mesmo que não acreditasse nas suas palavras bastaria olhar para as fotografias em que eu ainda era uma recém-nascida nos braços dos recentes pais. As fotografias não enganam nem a forma como me olhavam e ainda me olham em certos momentos. Contudo, neste momento sinto que somos um casal completo e feliz como se fossemos um enorme pardo com flores selvagens, vaquinhas a pastar, cavalos a correr em liberdade, borboletas a sobrevoar no horizonte... Sinto que quero ser mãe, mas neste momento também sinto que sou extremamente e plenamente feliz a ser só e apenas eu e ele e por enquanto isto basta-me.  

3.5.16

O que já aprendi com a entrada de 2016

Só te importas com o que os outros pensam ou deixam de pensar acerca de ti, das tuas escolhas, de como é o teu corpo, de todas as decisões que tomaste e que estás prestes a tomar quando tu também pensas nessas mesmas coisas e acreditas que aquilo que os outros pensam é de facto verdade. A partir do momento em que te sentes confiante acerca daquilo que és, daquilo que fizeste e do que estás prestes a fazer aquilo que os outros pensam ou possam pensar vale zero. 


2.5.16

Livros | The girls they left behind

Cotação Goodreads:4.18/5
A minha cotação: 4/5
Durante o mês de Abril li apenas um livro não porque estivesse extremamente ocupada ou cansada, mas antes porque me encontrava a ler um livro intenso e queria muito lê-lo lentamente de forma a absorver cada fragmento da história. O livro escolhido foi o The girls they left behind da escritora Lilian Harry - um livro já antigo (com cerca de 20 anos) e que relata um lado da história da Segunda Grande Guerra que apesar de conhecer nunca tinha lido nada segundo aquela perspectiva. Sabendo o titulo fica fácil saber que o livro fala num primeiro plano das mulheres que ficaram nas cidades, vilas e aldeias a cuidar dos filhos, das casas e que mais tarde acabaram por ocupar os trabalhos que apenas competia aos homens e num segundo plano surgem os homens que visitam a família depois de terem combatido durante semanas ou meses e as noticias daqueles que acabaram por perder a vida em combate.

O livro passa-se em 1940 numa pequena localidade chamada April Grove. Muitas são as mães que vêm partir os seus filhos ou para o campo de batalha ou para o campo onde acham que os seus pequenos rebentos encontrarão a segurança necessária e onde não correrão o risco de perder a vida com os vários bombardeamos que vão havendo não só em April Grove, mas um pouco por todas as cidades do Reino Unido. Betty Chapman contrariamente à vontade do seu pai decide juntar-se ao "Land Army" onde vai fazendo todo o trabalho de campo necessário para que as aldeias vizinhas continuem a receber leite e os alimentos necessários de forma a garantir a sobrevivência dos seus habitantes. É nesta fazenda que Betty conhece mais duas raparigas de quem se tornará inseparável e onde irá conhecer aquele que lhe arrebatará o coração e que lhe abalará todas as suas crenças pré-concebidas em relação à guerra. Em April Grove encontramos Olive que se casou alguns dias antes de ver o seu marido partir para a guerra; Nancy Baxter que vai dando algum conforto aos homens que ficaram e aos homens que estão prestes a partir em troca de alguns trocos enquanto o seu filho corre pelas ruas de April Grove em busca de bombas que não explodiram e outros artefactos de guerra juntamente com mais dois amigos. É ainda em April Grove que encontramos dezenas de mulheres que saem de suas casas todas as noites em que há bombardeamentos para se dirigirem aos hospitais e às ruas de forma a ajudarem a transportar e a cuidar dos feridos; é ainda o local onde vemos que os homens mais velhos mesmo não sendo chamados para combater continuam a ter como obrigação defender o local onde vivem e é ainda em April Grove que observamos que a inocência de quem ainda é criança consegue permanecer quase intacta mesmo quando tudo à sua volta está em ruínas.  

The girls they left behind foi um livro que me fez chorar em várias páginas principalmente onde de forma tão clara e precisa era-me relatado o olhar de quem saía dos abrigos e em seu redor só via destruição. No geral trata-se de um livro bastante interessante e que recomendaria a qualquer pessoa que goste de ler livros que falem sobre esta temática.