30.11.16

Pessoal | A minha mãe e as suas dicotomias

Eu e a minha mãe temos muitas semelhanças, mas depois há coisas que nos separam e que nos colocam em lugares totalmente opostos. A minha mãe é daquelas pessoas que reclama muito e várias vezes acerca do facto de o meu pai pouco fazer em casa. Reclama essencialmente do facto de ele não cozinhar nem de lavar a louça e outras vezes reclama por ele não fazer uma série de coisas que acha que ele deveria fazer por vontade própria, mas só faz quando ela lhe pede para o fazer e que no final o veredicto acaba sempre por ser negativo. O meu pai justifica-se dizendo que não faz porque já sabe que no final ela irá dizer-lhe que fez mal e que, mais cedo ou mais tarde, ela acabará por fazer as coisas uma segunda vez, mas desta vez à sua maneira. 

Outra coisa que a minha mãe faz é reclamar das coisas que eu não faço, mas que devia fazer porque supostamente tenho mais tempo livre do que o meu namorado. Reclama do meu pai não lavar a louça, mas acha que eu - por ter mais tempo e logo estou menos cansada do que o meu namorado - devia não só cozinhar como também deveria lavar a louça em vez de optar por aquilo que surgiu de forma bastante natural sem que nenhum de nós tivesse alguma vez de dizer ao outro o que deveria ou não fazer. Cá em casa quem cozinha não lava a louça. Ponto. A minha mãe também acha que eu - mais uma vez por ter mais tempo livre - deveria limpar a casa sozinha em vez de esperar pelo fim-de-semana para a limpar com o meu namorado que coitadinho precisa muito de descansar. No entanto, há outros dias em que diz que tenho muita sorte por ter alguém ao meu lado que me ajuda e que não tem problema nenhum em partilhar sem reclamar as várias tarefas domésticas que têm de ser feitas diariamente.  

No fundo, a minha mãe é aquele tipo de pessoa que acha que o marido deveria ajudar mais nas tarefas domésticas, mas que ainda não conseguiu ultrapassar aquele sentimento do antigamente em que essas tarefas diziam respeito unicamente à mulher.  

9 comentários :

  1. Eu entendo a dicotomia porque, lá está, é algo enraizado na sociedade ainda. Por um lado, sente que não é justo ter que fazer tudo sozinha, mas por outro sente que é mais obrigação das mulheres fazer certas coisas do que dos homens. É uma coisa difícil de ultrapassar nestas pessoas que foram educadas para serem fadas do lar sem reclamar, como na geração da tua mãe e da minha.

    Eu sou totalmente a favor da divisão das tarefas. Por outro lado, há que ter em conta situações específicas. Se eu estivesse desempregada e o meu namorado/marido estivesse a trabalhar, não consideraria justo ter que dividir tarefas. Se eu estaria em casa, faria eu porque tinha todo aquele tempo disponível. Não é que o outro depois fizesse de mim sua criada e se esquecesse das suas responsabilidades, mas se eu tinha todo o tempo do mundo, acho que não seria justo a outra pessoa chegar do trabalho e ter que fazer outras tarefas maiores (mas essa do cozinhar/lavar loiça, concordo contigo e acho que faz sentido na mesma neste meu cenário, na hora de jantar, por exemplo). Da mesma forma que eu esperava que, se ele estivesse em casa o dia todo e eu a trabalhar, não fosse eu a chegar a casa e ter que tratar de tudo. Era o que me faltava. Não ia estar a tirar tempo dos dois a fazer faxinas, tratar de roupas e etc, quando poderia ser feito unicamente por aquele que está em casa, que tem tempo para isso e se poderia ocupar durante as tardes, p.e., sem ter que roubar tempo de qualidade aos dois. Para mim é assim que faz mais sentido.

    Neste momento eu estou desempregada e toda a gente na minha família trabalha. Claro que sou eu a tratar de tudo em casa porque sou eu quem tem mais tempo. Não vou ficar o dia todo sem fazer nada de importante e esperar que seja a minha mãe a sair do trabalho e ainda vir para casa fazer certas tarefas só porque não me apeteceu fazer nada o dia todo. Não acho justo. Mas isso não significa que seja eu a responsável pelas coisas, simplesmente tenho mais tempo para as fazer. As outras pessoas fazem outras coisas quando chegam do trabalho, ajudam no que for preciso, mas sou eu quem trata de tudo durante o dia. Só à noite é que já não cozinho nem arrumo a cozinha porque há outras pessoas e eu também não sou empregada doméstica :p Mas roupas, arrumações, essas coisas mais chatas e demoradas, faço eu.

    Acho que tem que haver, acima de tudo, bom senso.

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    1. "Bom senso" é sem dúvida alguma a palavra chave.
      Há coisas que não me importo nada de fazer: como pôr a roupa a lavar, tirar a louça da máquina, estender e apanhar a roupa, passar a roupa a ferro... Algumas não me importo de fazer precisamente por ter mais tempo do que ele e outras simplesmente faço porque acho que as faço melhor do que ele :P mas se acontecer andar uma semana mais ocupada também sei que não terei um cesto de roupa a abarrotar porque lá está: ele tem o bom senso de perceber que se é ele que tem mais tempo durante essa semana não há necessidade alguma de esperar por mim para fazer essas coisas mais pequenas.

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  2. Percebo perfeitamente, o mal está mesmo no facto de elas terem recebido, quando eram pequenas, a mensagem que aquele era um trabalho das mulheres. Se uma casa é dividida por 2 ou mais pessoas então é mais que normal que todos os que lá vivem colaborem nas tarefas domésticas...
    http://sunflowers-in-the-wind.blogspot.pt/

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  3. A minha mãe é igualzinha... e com isso só temos que aprender, que connosco não pode ser asssim.

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  4. O problema é que as mães "acham" sempre muitas coisas =)

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  5. É mesmo de pontos opostos já estou a ver...

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  6. uii revejo-me tanto neste post!!

    http://messyjessyblog.blogspot.pt/

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  7. A minha mãe é tal e qual. Sem tirar nem pôr!

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