6.5.16

Pessoal | Um jardim sem flores vs um enorme prado com flores selvagens

A altura em que todas as minhas amigas começam ou a casar ou a ter filhos chegou. É um facto. Daqui a doze dias casa uma, em Agosto outra, outra prepara-se para o nascimento da sua primeira filha e entretanto a minha mãe lembra-se de começar a dizer-me que um casal sem filhos é como um jardim sem flores como que a dizer-me "Raspberry estás quase a fazer 27 anos, já namoras há uma carrada de anos e para além de ainda não terem casado ainda não me dás netos, como te atreves?!" ou então simplesmente está a dizer-me que eu e ele somos um casal incompleto por ainda não termos cedido às leis da sociedade.

Sempre soube que me queria casar assim como sempre fiz questão de acompanhar esta afirmação com um "mas". O meu mas resumia-se à vontade de casar, mas não pela Igreja porque não sinto que necessite da aprovação da religião para que o meu casamento seja válido. Sim, da religião porque Deus se ele existe deve aprova-lo independentemente deste estar ligado ou não a qualquer tipo de religião. No inicio a minha mãe dizia-me para não dizer "asneiras", mas com o tempo habituou-se à ideia e talvez seja por isso que não me chateie acerca do porquê de ainda não nos termos casado. Apenas não o fizemos porque ainda não temos condições para o fazer como realmente queremos e se não as temos não vamos casar só porque sim. Ponto. No entanto, nunca preparei o coração da minha mãe para a possibilidade de vir a ter filhos tão ou mais tarde do que ela se é que alguma vez os terei e portanto aquele enorme coração desejoso por ter netos apoquenta-se com o facto de as pessoas à sua volta já terem netos e ela não. 

A verdade é que até bem pouco tempo não sabia se queria ser mãe e apenas não o dizia em voz alta porque até a mim me incomodava não sentir nada quando via bebés. Quando digo que não sentia nada era mesmo um não sentir. Apenas olhava para eles como sendo coisas incapazes de fazer coisas. Achava incrivelmente estúpido as tentativas forçadas de interagir com eles. Achava parvas aquelas vozes finas que quase todas as pessoas fazem na presença destes pequenos seres. Não lhes achava piada e sempre que alguém se atrevia a pôr-me um bebé nos braços eu só ficava a olhar para "aquilo" e a pensar "sim e agora? O que querem que eu faça com isto?" e tratava logo de o largar nos braços de outra pessoa. Simplesmente não sentia. Não sentia empatia por bebés o que fazia com que não sentisse vontade de ser mãe. Reparem que estou a usar o passado. Não sentia, mas já sinto. No ano passado passaram-me uma vez mais um bebé para os braços e de repente senti. Gostei de ter aquela coisa fofa com olhos gigantes de quem desconhece o mundo e que está pronto para absorver tudo o que o rodeia no calor do meu abraço. Gostei de o olhar e o ver a sorrir-me e a fazer-me sorrir. Foi naquele momento que percebi que afinal o desejo de ser mãe habita em mim, mas é um desejo calmo e sereno. Sem pressa. 

Continua a incomodar-me que me perguntem quando é que tenho filhos como se eu devesse qualquer tipo de justificação. Incomoda-me ainda mais quando a minha mãe me diz que um casal sem filhos é como um jardim sem flores acompanhado por um grande grau de sentimentalismo enquanto me diz que o dia em que nasci e me pegou nos braços foi o dia mais feliz da sua vida e da vida do meu pai. Eu acredito nela, a sério que acredito. Mesmo que não acreditasse nas suas palavras bastaria olhar para as fotografias em que eu ainda era uma recém-nascida nos braços dos recentes pais. As fotografias não enganam nem a forma como me olhavam e ainda me olham em certos momentos. Contudo, neste momento sinto que somos um casal completo e feliz como se fossemos um enorme pardo com flores selvagens, vaquinhas a pastar, cavalos a correr em liberdade, borboletas a sobrevoar no horizonte... Sinto que quero ser mãe, mas neste momento também sinto que sou extremamente e plenamente feliz a ser só e apenas eu e ele e por enquanto isto basta-me.  

7 comentários :

  1. Gargalhei com a descrição dos bebés como "coisas incapazes de fazer coisas". Eu de bebés gosto, e de crianças até aos 3 ou 4 anos. Depois disso é uma tormenta e só consigo suportá-los a partir dos 14. Não sinto empatia por crianças, não acho que sejam o melhor do mundo (o melhor do mundo são as boas pessoas e isso não tem idade) e não suporto afirmações do género "o Natal é das crianças". Oi?? Porquê? Acho que as pessoas têm tendência a glorificar a infância porque supostamente o mundo dos adultos é mesquinho, feio, etc. Mas o meu não é, e sou melhor pessoa agora do que fui na infância.

    Eu acho que as pessoas ainda têm dificuldade em perceber que as mulheres não precisam de uma extensão de si para se sentirem completas e que um casal não precisa de um rebento para justificar a sua união. Nem acho que seja esta a razão pela qual as pessoas têm filhos - têm porque sentem essa vontade, porque querem ver crescer um fruto do seu amor, etc. Dizer que um casal sem filhos não está completo é depreciativo tanto para quem tem filhos quanto para quem ainda não os tem ou decide nunca ter.

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  2. Eu ainda não cheguei essa fase se bem que não falta muito :P

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  3. Eu quero ser mãe, sempre quis. Mas não é por achar que um casal sem filhos não é uma verdadeira família ou menos completo. Eu ainda nem vivo com o meu namorado e, portanto, não sinto essa falta de filhos agora-já. Mas acredito que, quando formos viver juntos, vamos sentir-nos completamente felizes e serenos, sem que seja preciso mais nada. Ter filhos faz parte dos nossos projetos, sim, mas não porque achemos que sozinhos a vida ia ser mais triste. Pelo contrário, só um casal verdadeiramente feliz e completo pode apreciar devidamente a benção de ter filhos, de juntar mais seres àquele amor tão completo.

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  4. Acredito que cada um tem o seu ritmo e faz as suas escolhas. No momento certo, se ele chegar, terás essa oportunidade, mas é uma decisão que cabe a ti e ao teu namorado.
    Eu casei bastante cedo e já estou grávida, mas foi uma decisão minha, que não me passava sequer pela cabeça há uns anos atrás. Também não casei pela igreja, porque penso da mesma forma que tu.
    Ter filhos realmente é maravilhoso. Já sinto muito amor pelo meu, mesmo que ainda esteja na barriga. Mas não é tendo pressa que as coisas vão acontecer, só porque "já está na altura". Não, a altura de cada um varia muito, e algumas pessoas decidem que nunca chegará a delas.
    Enfim, o que importa mesmo é seres feliz à tua maneira :)
    Beijinhos

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  5. Descobri o teu blog no dia perfeito ;)
    Eu nunca quis ser mãe, nunca senti nada, tal como tu, por bebés... Ficava sempre sem graça quando estava na presença de um... Por mais que os achasse fofinhos e até ternurentos mais do que 10 min. não me imaginaria na presença se um, muito menos para o resto da vida.
    E eis que... SURPRESA: "Estás grávida!"
    O parto é amanhã e... quando tento imaginar no que está prestes a acontecer à minha vida ainda acho que estou a viver numa espécie de filme, não é um pesadelo, não é um sonho... É só estranho! É um cenário que jamais imaginei! Espero apaixonar-me no primeiro segundo e espero ser abençoada por aquele instinto que toda a gente diz que aparece quando é hora...
    A minha mãe, essa ficou maravilhada! Estava mais do que conformada que não seria avó tão cedo, que teria que esperar pela minha irmã mais nova. Está nas nuvens!
    Ganhaste umas nova subscritora! ;)
    Beijinhos,
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  6. Ser mãe foi um tema que tive à mesa em tempos. Não quero ser mãe. Digo isto com todas as minhas certezas mas coloco sempre um "mas"ou um "até ao dia". Não faz parte dos meus planos próximos e além disso, nem namoro e não me apetece ser mãe solteira.
    A minha colega está grávida e apesar de eu ficar contente por ela já quase que não a posso ouvir falar daquele bebé que ainda tem apenas 10 semanas de gestação. Será demasiado cruel dizer isto? Mas infelizmente, é verdade.
    Eu digo à minha mãe para ela não esperar por netos tão cedo, pelo menos da minha parte (já do meu irmão não sei). Sinto que não é altura e acima disso, sinto que não seria uma boa mãe.

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  7. Também estou numa idade "crítica" (28). Felizmente não tenho esse tipo de pressão dos meus pais mas ainda há uns 5 minutos (literalmente) um colega me perguntou se não tenho vontade de ter filhos. E identifiquei-me muito com o que escreveste, eu nunca gostei muito de bebés e isso só começou a mudar quando a minha sobrinha mais velha nasceu.
    É muito chato ser-se pressionado mas cada um tem a vida que tem e há que evitar compararmo-nos aos outros ou ceder a pressões, seja da sociedade ou da família e amigos.

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