9.12.16

A vida em compasso de espera


Ser adulto é perceber que há certas fases da vida que têm de ser vividas em silêncio mesmo que a nossa cabeça consiga ser o local mais barulhento do Universo. Ser adulto é ter a capacidade de passar por alturas assustadoras sem partilhar o que está a acontecer com quem mais amamos porque há certas coisas que têm de ser vividas unicamente por nós já que de nada vale preocupar (ainda mais) quem já preocupado está. Ser adulto não é fácil. Esconder coisas também não. Esperar por respostas muito menos. 


30.11.16

Pessoal | A minha mãe e as suas dicotomias

Eu e a minha mãe temos muitas semelhanças, mas depois há coisas que nos separam e que nos colocam em lugares totalmente opostos. A minha mãe é daquelas pessoas que reclama muito e várias vezes acerca do facto de o meu pai pouco fazer em casa. Reclama essencialmente do facto de ele não cozinhar nem de lavar a louça e outras vezes reclama por ele não fazer uma série de coisas que acha que ele deveria fazer por vontade própria, mas só faz quando ela lhe pede para o fazer e que no final o veredicto acaba sempre por ser negativo. O meu pai justifica-se dizendo que não faz porque já sabe que no final ela irá dizer-lhe que fez mal e que, mais cedo ou mais tarde, ela acabará por fazer as coisas uma segunda vez, mas desta vez à sua maneira. 

Outra coisa que a minha mãe faz é reclamar das coisas que eu não faço, mas que devia fazer porque supostamente tenho mais tempo livre do que o meu namorado. Reclama do meu pai não lavar a louça, mas acha que eu - por ter mais tempo e logo estou menos cansada do que o meu namorado - devia não só cozinhar como também deveria lavar a louça em vez de optar por aquilo que surgiu de forma bastante natural sem que nenhum de nós tivesse alguma vez de dizer ao outro o que deveria ou não fazer. Cá em casa quem cozinha não lava a louça. Ponto. A minha mãe também acha que eu - mais uma vez por ter mais tempo livre - deveria limpar a casa sozinha em vez de esperar pelo fim-de-semana para a limpar com o meu namorado que coitadinho precisa muito de descansar. No entanto, há outros dias em que diz que tenho muita sorte por ter alguém ao meu lado que me ajuda e que não tem problema nenhum em partilhar sem reclamar as várias tarefas domésticas que têm de ser feitas diariamente.  

No fundo, a minha mãe é aquele tipo de pessoa que acha que o marido deveria ajudar mais nas tarefas domésticas, mas que ainda não conseguiu ultrapassar aquele sentimento do antigamente em que essas tarefas diziam respeito unicamente à mulher.  

28.11.16

It's Christmas Time | Presentes que se comem #2 (Salame de Chocolate)

As publicações "Presentes que se comem" começaram de forma bem simples e saudável, mas hoje vão sofrer uma pequena reviravolta. O simples e a rapidez com que se faz irão continuar a estar presentes, quanto ao saudável é que já tenho as minhas duvidas. 

A sugestão de hoje é o belo do salame de chocolate. Quem não gosta deste doce do demo? Bem sei que este não é daqueles doces que têm a capacidade de agradar a gregos e a troianos e que só os mais fortes conseguem comer uma fatia atrás da outra sem se agarrarem à barriga enquanto se queixam de como estão enjoados. Sempre que o faço lembro-me da minha melhor amiga que é das poucas pessoas que conheço que acha completamente compreensível que pessoas como ela e como eu não se deixem ficar por uma só fatia, nem por um único ovo mole, nem por um único quadrado de chocolate sempre que a vontade de comer chocolate aperta... Portanto, este é o "presente que se come" perfeito para os vossos familiares e amigos mais gulosos.  


Para fazerem o salame de chocolate vão precisar de: 180g de manteiga sem sal, 150g de açúcar amarelo, 150g de cacau em pó, 1 ovo e 200g de bolachas digestivas ou de bolacha maria.

Preparação:
Numa taça de tamanho médio bater a manteiga com o açúcar amarelo até obter uma massa esbranquiçada. Adicionar o ovo e o cacau em pó e misturar tudo muito bem. Por fim juntar as bolachas partidas previamente aos pedaços à massa. 
Por último, colocar a massa numa folha de papel de estanho e com a ajuda das mãos amassar o preparado de modo a que este fique em forma de rolo. Levar ao frigorífico pelo menos durante 6 horas antes de servir. (Conservar no frigorífico até a altura de o oferecerem).

Relacionados:
It´s Christmas Time | Presentes que se comem #1 (Granola caseira)

25.11.16

Aquele momento em que...

decides comprar os bilhetes para o concerto do Bruno Mars (4 dias depois destes ficarem à venda) e descobres que a maior parte dos bilhetes já esgotou e os que existem são tão escandalosamente caros que por momentos rendes-te à evidência e ficas 5 minutos a insultar-te a ti própria


mas depois eis que o teu namorado salva o dia e diz "Há bilhetes relativamente baratos para o concerto dele em Copenhaga!" e tu ficas desde então com o seguinte estado de espírito:



Agora imaginem-me toda histérica a dizer "Ainda nem acrediiito que vou ver o Bruuuno Mars Aaaaahhhhh (e visitar uma cidade que ainda não conheço)!" 

24.11.16

It's Christmas Time | Para surpreender #1 (Bolo Floresta Negra com recheio de frutos silvestres)

Falta precisamente um mês para a noite mais mágica do ano. Falo obviamente da noite de Natal e por isso hoje trago-vos uma receita que é simplesmente de babar e de chorar por mais. Faz precisamente dois anos que a fiz pela primeira vez e desde então que a tenho repetido em alturas especiais e até hoje não houve um único dia em que este bolo não tenha sido um autêntico sucesso.

Inicialmente era apenas um bolo rico de chocolate que costumava rechear e cobrir com chantilly, mas há dois anos atrás pensei que isto às tantas era capaz de ficar ainda melhor se fizesse um recheio de frutos silvestres e se o cobrisse com chocolate. Claramente esta foi das ideias mais brilhantes que tive na minha vida.



Bolo Floresta Negra com recheio de Frutos Silvestres

Ingredientes:
Para o bolo: 5 ovos (separar as claras das gemas); 120g de manteiga a temperatura ambiente; 35g de chocolate em pó; 130g de chocolate negro (pelo menos com 35% de cacau); 150g de açúcar; 130g de farinha + 1 colher de chá de fermento; 3 colheres de sopa de leite;

Para o molho de frutos silvestres: 150g de frutos silvestres (comprei congelados e descongelei antes de usar); 50g de açúcar;

Para o recheio de frutos silvestres: 150g de frutos silvestres (comprei congelados e descongelei antes de usar); 50g de açúcar; 10g de manteiga; 1 colher de sopa de água; 30ml de natas; 1 ovo batido;

Para a cobertura de chocolate: 200ml de natas; 100g de chocolate de culinária;

Para decorar: mistura de alguns frutos silvestres (na foto usei as sobras dos frutos congelados, mas normalmente opto por usar frutas frescas: framboesas, mirtilos e amoras).

Preparação:
Bolo: Derreter o chocolate em banho-maria. Untar um tabuleiro que possa ir ao forno com manteiga, forra-lo com papel vegetal e unta-lo novamente com um pouco de manteiga. Pré-aquecer o forno a 180º.  Numa taça misturar a farinha, o fermento e o chocolate em pó. Separar as gemas das claras e bater com a batedeira as claras em castelo (estão prontas quando se formarem picos bem firmes). À parte juntar a manteiga e o açúcar, bater até obter uma mistura pálida e fofa. Juntam-se as gemas, o leite e o chocolate derretido até que tudo esteja muito bem misturado. Aos poucos e sem usar a batedeira vai-se juntando a mistura da farinha (costumo, no final, usar a batedeira só por alguns segundos de forma a ter a certeza de que não existem bocados de farinha). Por último, juntar as claras. Misturar tudo e levar ao forno durante 20 a 30 minutos (rodar o tabuleiro a meio da cozedura). O bolo está pronto quando assim que se fizer o teste do palito (enfiar um palito no centro do bolo) ele sair seco. Com o bolo completamente arrefecido acertar as bordas e cortá-lo ao meio em metades iguais. 

Molho de frutos silvestres: Colocar todos os ingredientes num tacho e levar ao lume. Assim que levantar fervura retirar do fogão, triturar com a varinha mágica e coar. 

Recheio de frutos silvestres: Num tacho juntar a água, a manteiga, o açúcar e os frutos silvestres. Quando começar a ferver juntar as natas e mexer bem. Retirar do lume. Para que o ovo não talhe reservar à parte um pouco do recheio. Numa tigela bater o ovo, juntar o preparado que reservou e mexer tudo até ter uma mistura homogénea. Juntar a mistura do ovo ao resto do preparado e levar novamente ao lume. O recheio está pronto assim que o creme começar a engrossar. 

Cobertura de chocolate: Colocar as natas num tacho (já estão a pensar na quantidade de louça que vão ter de lavar no final, não estão? Percebo, mas garanto-vos que irá valer a pena!) e deixa-las levantar fervura em lume brando. Retirar do fogão, juntar o chocolate partido aos pedaços e mexer até que este fique completamente derretido.  

Montagem:
Eis que chegamos à minha parte preferida! A montagem é fácil, mas tem de ser feita com alguma calma e sem grandes preocupações acerca se está a ficar bonito ou não. Acreditem em mim quando vos digo que enquanto estou a montar qualquer bolo acho sempre que está a ficar horrivel, mas no final quando está tudo pronto e no devido lugar olho e percebo que afinal até nem está nada mal! 

Em primeiro lugar colocam no prato de servir uma das metades do bolo. Regam-na com um pouco do molho de frutos silvestres e não se esqueçam de regar a outra metade também. Na metade de bolo que está no prato espalhem abundantemente o recheio e depois coloquem por cima a segunda metade. Não se preocupem se o recheio começar a sair pelas bordas do bolo. Pessoalmente adoro ver o próprio bolo a "babar-se" :) Depois é só colocar a cobertura de chocolate em cima da segunda metade. Se virem que não vale a pena usarem toda a cobertura guardem-na no frigorífico até 5 dias. Podem usá-la em outros bolos ou em panquecas por exemplo.  Para tornarem o vosso bolo ainda mais bonito no topo coloquem algumas das frutas que vos tenham sobrado. 

Espero que gostem! Se experimentarem não se esqueçam de me vir dizer como correu. Aproveitem e tirem uma foto e enviem-na para o meu email (sweetraspberry59@gmail.com) porque sim, sou uma curiosa assumida! 

23.11.16

Música para os meus ouvidos


Serei a única pessoa a estar viciada no novo álbum (24K Magic) do Bruno Mars? Assim de repente parece-me ser o remédio perfeito para qualquer dia não ou para tornar um dia sim ainda mais positivo e animado. 

22.11.16

Saúde | Adeus ginásio, até qualquer dia!

Hoje foi o dia em que tomei uma decisão que andava a adiar há muito tempo. Decidi congelar a minha matricula do ginásio. Sempre olhei para o exercício físico como sendo um momento de libertação de más energias culminando com um sentimento de paz de espírito. Contudo há muito que não andava nem a conseguir libertar as más energias nem a sentir esse sentimento de paz que se segue a um treino bastante puxado e suado. 

Desde Junho que ando a lidar com um problema de saúde que parece não ter fim à vista. Começou com uma dor intensa e continuada num sítio muito especifico da mama. Não se sentindo nada de alarmante o médico que me examinou na altura optou por me mudar a pílula. Se no mês seguinte me senti melhor no outro as dores voltaram a triplicar. Deixou de ser uma dor localizada passando a ser uma dor que viaja entre a mama, o ombro, a axila e o braço até à zona do cotovelo deixando-me em dias maus incapaz de cozinhar, cortar legumes e de fazer os meus bolos. Deixou de ser uma dor chata para ser uma dor que me deixa incapacitada de fazer o que gosto e de trabalhar naquilo que realmente me faz feliz. Tudo isto mais o facto de não conseguir fazer exercício sem que a situação piorasse instantaneamente fez com que eu senti-se menos vontade de vir aqui e talvez esse tenha sido o principal motivo que me manteve tantos meses afastada deste pequeno mundo. 

Em Setembro tive uma consulta de urgência marcada pelo médico de medicina geral na Breast Clinic. Pensei que fossem fazer exames mais específicos já que toda a carta que recebi antes da consulta era tudo menos tranquilizadora, mas afinal só fizeram o exame da apalpação mamária. Mais uma vez a médica não sentiu nada de alarmante a não ser um inchaço na zona do peito dizendo por fim que lhe parecia ser um problema entre músculo e cartilagem causado provavelmente pelo exercício e que passaria com o uso do soutien 24 horas por dia e de uma pomada que poderia comprar em qualquer farmácia sem receita médica. 

Não passou e para a semana vou ao médico novamente. Já falei com várias pessoas daqui acerca deste assunto e todas me disseram o mesmo: que se não for eu a pedir para fazer exames que a situação vai continuar a arrastar-se precisamente por nenhum dos médicos sentir nada de alarmante. Isto deixa-me tão frustrada: como assim tenho de ser eu a pedir para fazer exames? Mais um bocadinho e também querem que eu faça toda uma pesquisa acerca do tipo de exames que preciso de fazer, não? 

21.11.16

It's Christmas Time | Presentes que se comem #1 (Granola caseira)

Para mim Natal é sinónimo de família, partilha e de alegria. Talvez seja por isso que tento sempre pôr um pouco de amor em tudo aquilo que ofereço por esta altura. Esse "amor" tanto pode ser um pormenor no embrulho que só a outra pessoa irá reparar e associar a algo ou uma pequena mensagem dentro do próprio embrulho ou algo que foi feito e pensado por mim. 

A esta altura penso que não seja nenhum segredo que cozinhar é a minha grande paixão e é aquilo que mais prazer me dá fazer a cada dia. Por isso, estou certa de que não ficarão surpreendidos se vos disser que para além do presente em si (que é mais uma pequena lembrança) também costumo oferecer um pequeno cabaz com coisas feitas por mim porque sim e porque gosto de mimar aqueles que também me mimam de diferentes formas ao longo do ano.

Hoje trago-vos a primeira sugestão de presentes feitos com (muito!) amor. Decidi começar por algo simples e muito fácil de se fazer. A granola é uma excelente opção para aqueles que querem dar um miminho feito por si, mas que por diversos motivos não têm tempo suficiente para se dedicarem às artes da culinária. Trata-se de um presente saudável e mesmo que "saudável" não combine com Natal de certeza que combina com "2017" não fosse o "desejo emagrecer x quilos" um dos desejos mais pedidos a cada novo ano, certo? 

A receita não poderia ser mais simples. 
Para a fazer vão precisar de: aveia, óleo de coco (ou de outra gordura), mel, nozes, amêndoas, e sementes variadas. 



Comecem por ligar o forno a 180º e num tabuleiro de ir ao forno coloquem 3 chávenas de flocos de aveia, meia chávena de nozes picadas grosseiramente, uma chávena de amêndoas e as sementes (pus uma colher de sopa de sementes de linhaça, de girassol e de chia). Juntem uma colher de sopa de óleo de coco para uma versão mais saudável (podem usar manteiga sem sal ou azeite se não tiverem óleo de coco). De seguida juntem 2/3 de chávena de mel. Misturem tudo muito bem e levem ao forno. Demora cerca de 30 minutos. A meio mexam o conteúdo e retirem do forno assim que dourar. Estejam atentos para que não queime!

Assim que retirarem a granola do forno podem juntar mais algumas coisas. Podem juntar chocolate preto partido aos bocadinhos se quiserem dar um ar mais guloso ou então podem optar pela versão mais saudável e juntar algumas frutas secas (uvas passas, figos secos, arandos, o que quiserem).  

Assim que a granola estiver completamente arrefecida é só pô-la em pequenos frascos e decorarem-nos a gosto! 


Como podem usar a granola? Podem come-la com iogurte ou leite como também podem optar pela minha versão preferida: misturar numa taça a granola com algumas rodelas de banana e no final polvilhar tudo com coco ralado. Pessoalmente acho que é uma óptima sugestão que funciona lindamente tanto como para pequeno-almoço como para um lanche.

Amor em minúsculas



Às vezes, já de manhã, acordo pouco antes do despertador tocar e durante aqueles poucos minutos em que ele ainda dorme profundamente com o corpo virado para mim e a casa ainda está mergulhada no silêncio gosto de ficar a olhá-lo e de observar a beleza dos seus lábios entreabertos. Outras vezes não resisto e acabo mesmo por lhe dar um beijinho quase em segredo evitando que ele acorde completamente. Para muitas pessoas isto seria algo verdadeiramente estranho, a minha sorte é que ele acha a minha estranheza fofinha. 

18.11.16

It's Christmas Time | Digam de vossa justiça


E se eu vos dissesse que ao longo das próximas semanas poderão encontrar no blogue receitas de coisinhas boas que poderão usar para oferecer às vossas pessoas e outras quantas que poderão usar para surpreender a vossa família no jantar de Natal e de Ano Novo? Gostavam ou era algo que poderiam viver bastante bem sem isso? 

17.11.16

A blogosfera de hoje



Detesto esta coisa de blogues com conteúdos programados e que se limitam a falar dos mesmos temas a toda a hora e de uma forma excessivamente profissional. Com isto não quero dizer que não existem realmente bloggers que fazem um óptimo trabalho com este tipo de blogues, mas no meu entender são poucos/as aqueles/as que conseguem manter o seu toque pessoal ao mesmo tempo que tentam promover determinado produto. 

Gosto de espontaneidade e de visitar um blogue sem saber ao certo o que irei encontrar. Gosto de bloguers que falem sobre si, sobre os seus planos, sobre a sua vida e do mundo em geral. Gosto tanto de bloguers que publicam várias vezes ao dia quer sejam publicações curtas ou longas assim como gosto em igual medida de bloguers que só publicam algumas vezes por mês. Gosto deste tipo de blogues porque são estes que fazem com que sinta algum grau de empatia pela pessoa que os escreve. São estes blogues que me me inspiram e que me fazem sorrir. São estes blogues que fazem com que fique com aquele sentimento de que conheço quem está do outro lado mesmo só ficando a conhecer aquilo que essa pessoa quer que os seus leitores conheçam. São estes blogues que eu visito diariamente e que me fazem sorrir com as suas conquistas e ficar triste com os seus momentos menos bons. São estes blogues espontâneos que me permitem sentir enquanto que os outros muitas vezes fazem-me sentir algo que não aprecio: indiferença. 

Se conhecem blogues espontâneos como os que descrevi sintam-se no direito de os partilharem comigo. Ando desesperadamente a precisar de ler coisas novas.  

15.11.16

It's Christmas Time | Aquele momento em que transpiras entusiasmo e o Universo te dá um murro no estômago



Dizia eu ontem à tarde que já tinha seleccionado todas as receitas que queria experimentar até ao Natal de forma a ver quais resultavam melhor e quais deveria mandar para o inferno das receitas que só devem funcionar por artes mágicas ou fazendo uso de feitiçaria negra. Dizia eu para quem quisesse ouvir que este ano é que ia ser, que iria fazer as coisas com tempo e que não iria fazer o habitual (experimentar receitas novas disto e daquilo em dias tão importantes como o Natal e o Ano Novo em que temos a família toda a julgar o que pomos na mesa).  Dizia eu ainda mais alto que iria já começar naquele dia (ontem!) quando ao fim de meia hora com as coisas no forno reparo que aquela merda só estava a bombar ar frio e ar quente que é bom nada! NA-DA! Só ar frio e as coisas completamente liquidas e uma Raspberry de muito mau humor. O forno morreu e se isto não é o Universo a querer sabotar-me os planos, então não sei o que será...

9.11.16

Actualidade | Quantos mais dias negros caberá em 2016?!

Mais uma vez as sondagens vieram provar que não passam de meros números que poderão querer dizer tudo, mas que também poderão querer dizer rigorosamente nada. 

Uma grande parte das pessoas não acreditava que o Brexit realmente acontecesse e as sondagens, mesmo com uma diferença mínima, apontavam para a vitória do "ficar na UE" e, mesmo assim, um dia depois do referendo todos acordamos sem saber o que viria a seguir, mas com a certeza de que o racismo e a xenofobia naquele dia tinham saído vencedores. 

Hoje, mais uma vez, acordamos com o coração na boca e de queixo caído. Talvez o nosso erro tenha sido acreditar que alguém tão bronco e que não mede as palavras que diz jamais poderia sair vencedor. Talvez o nosso erro tenha sido acreditar de forma desmedida que o povo americano não poderia ser tão ignorante ao ponto de dar um passo que poderá conduzi-los ao passado e a um futuro assustador. (Ou talvez esse tenha sido só o meu erro.) Mais uma vez ganhou o racismo, a xenofobia e o preconceito para tudo o que é diferente. 

Como é que é possível chegar-se a Presidente dos Estados Unidos da América referindo-se às mulher de forma tão desrespeitosa e vulgar como Donald Trump tantas vezes o fez? Como é possível tanta gente ter votado em alguém que não quer fazer valer os direitos não só das mulheres, mas também dos homossexuais e da humanidade em geral? Como é possível alguém ter sido eleito presidente de uma das maiores potências a nível Mundial dizendo que o aquecimento global não existe? 

Pergunto-me que tipo de América iremos ter a partir de hoje. O mundo está a mudar e aos poucos está a tornar-se em algo que me assusta e acerca disso faço minhas as palavras de uma professora de História que tive na altura do secundário: o tempo vai passando, mas a História vai-se repetindo. 

19.8.16

Guilty Pleasure

Quer se admita ou não todos nós temos um guilty pleasure e eu tenho vários. Neste preciso momento consigo lembrar-me de dois: um na área da literatura e outro na área da música. O primeiro deve-se ao espaço cativo que os livros do Nicholas Sparks sempre tiveram e continuam a ter no meu coração. Se o acho o melhor escritor do mundo? Não. Se acho que os seus livros são formidáveis? Também não, mas se ando numa altura de ler clichés românticos podem ter a certeza que é nos livros dele que vou pegar em primeiro lugar! E se o meu guilty pleasure literário não me causa grande vergonha o da música já não é bem assim... 

Imaginem uma pessoa que não suporta ir a discotecas porque detesta aquele tipo de música; que só de ouvir músicas do Calvin Harris e assim revira quase que imediatamente os olhos, mas que na hora de fazer exercício só consegue fazer um treino intenso a ouvir o quê? Exacto... Calvin Harris e outras músicas do mesmo género cheias de pumpumpum.  

Juro que há alturas em que não me entendo. Vocês também têm algum guilty pleasure que vos envergonhe mesmo à grande? 

10.8.16

Olá, Mundo!



Considero que há alturas na vida em que o melhor a fazer é não insistir e simplesmente parar, descansar, (re)pensar, (re)considerar e simplesmente respirar e viver cada momento da nossa vida sem estarmos focados em coisas que na altura nos parecem desnecessárias. Já alguma vez viveram tempos em que tinham tanto e tão pouco a dizer e a partilhar com o resto do mundo? Aqueles que já com certeza que compreendem a minha ausência; os que nunca passaram por isso talvez nunca venham a compreender.  

Dois meses passaram desde a última vez que aqui vim, no entanto nunca deixei de aqui estar. Nunca foi minha intenção simplesmente desaparecer e deixar de escrever para todo o sempre num sítio que é tão meu e onde partilhei tantos momentos da minha vida. Apenas quis fazer uma pausa e estes dois meses foram isso mesmo: uma pausa para viver comigo mesma e com os que me rodeiam sem o ruído das redes sociais e do blogue. Um silêncio que pensei que duraria um par de semanas, mas que afinal durou dois meses... A verdade é que não me arrependo nem me sinto minimamente culpada. 

Ao longo de todo este tempo muita coisa boa aconteceu: os meus pais vieram visitar-me e já voltaram para Portugal; eu já fui passar duas semanas a Portugal onde tive a oportunidade de assistir ao concerto de uma das minhas bandas preferidas (Iron Maiden) e onde passei dias fantásticos nos meus locais preferidos e na companhia de quem me aquece o coração. Também já acrescentei mais um ano de vida e pela primeira vez passei esse dia única e exclusivamente com o meu namorado e a viajar por um país que sempre quis conhecer e onde quero muito um dia voltar: Irlanda. Também aconteceram coisas menos boas como um sonho que estava prestes a tornar-se real, mas que teve de ser adiado, a saída do Reino Unido da União Europeia; marchas conduzidas por nacionalistas e marchas anti-Islão na cidade onde me encontro a viver, mas disso não me apetece falar. 

9.6.16


Faltam menos de duas semanas para receber a visita dos meus pais em Terras de Nossa Majestade e eu não poderia estar mais ansiosa. Mal posso esperar por os ter aqui e por andar a passear de loja em loja com a minha mãe e a mostrar-lhes os meus sítios preferidos! 


24.5.16

Sociedade | Coisas que me ultrapassam

Pessoas (também elas emigrantes) que organizam palestras na Universidade para que os estudantes percebam como é realmente importante exercerem o seu direito/ dever ao voto no referendo do próximo mês, mas depois dizem-me "se bem que eu não vou votar porque como tenho passaporte Inglês isto não me irá afectar." 

Independentemente da decisão que os Ingleses tomem a verdade é que ninguém ficará imune. Acho realmente impressionante que algumas pessoas ainda achem que os únicos afectados, se o Reino Unido sair da União Europeia, serão os emigrantes ignorando que haverá outras consequências  que afectarão todos os cidadãos que se encontrem a viver no Reino Unido. 

18.5.16

Mistérios da vida

Fui à H&M e apaixonei-me por dois pares de calças. Estando ambos em promoção não pensei duas vezes e acabei por comprar os dois pares de calças, no entanto existem dois aspectos que merecem ser partilhados com o mundo: 1) um dos pares é tamanho 36 e o outro é tamanho 40; 2) o tamanho 40 é  mais ou menos 2cm mais pequeno do que o par 36. E eu que já pouco ligava a esta coisa dos tamanhos cada vez ligo menos.

12.5.16

Pessoal | Acerca dos filhos únicos



"Egoístas. Egocêntricos. Têm tudo aquilo que querem. São super protegidos pelos pais. Não vivem sem os pais. Os pais não vivem sem eles. Manipuladores. Podia continuar, mas nada de bom iria aparecer por aqui porque tudo aquilo que a sociedade teima em afirmar acerca dos filhos únicos encontra-se recheado de defeitos sem que apareça qualquer qualidade. Pelos vistos só os filhos únicos é que não conseguem viver sem os pais e estes sem eles e eu a pensar que isso acontecia com todos aqueles que têm uma boa relação com os seus pais... Bem, pelos vistos estava enganada. 

Incomoda-me que me façam questões acerca de como os meus pais reagiram quando lhes disse que em Setembro (ou mais tarde, depende) irei viver para o Reino Unido com o meu namorado porque "como sou filha única" poderiam não ter reagido bem; ou acerca de como será para mim viver com o meu namorado longe dos meus pais porque "como sou filha única"... Pergunto-me o que esperam que eu lhes diga. Querem que lhes responda que sim, que vou morrer de saudades dos meus pais porque não vou poder vê-los todos os dias como até agora tem vindo a acontecer? Querem que lhes diga que nos primeiros dias vou chorar baba e ranho? Querem que lhes diga que vou ter saudades das minhas gatas e das saídas com as minhas amigas? Que vou sentir a falta da minha cama, da comida boa que a minha mãe faz e que até dos dias em que ela me faz correr todos os supermercados que existem aqui na zona vou ter saudades? Contudo, de que forma é que tudo isto se relaciona com o facto de eu ser filha única? Por mero acaso os filhos não únicos não sentem o mesmo? Já para não falar das questões acerca se a nossa relação está preparada para este passo... Depois de namoramos há seis anos se ainda existissem duvidas acerca disso eu diria que algo estaria muito mal na nossa relação e talvez a melhor solução fosse cada um de nós seguir o seu próprio caminho. Acontece que não se passa nada disso. Ambos queremos e ambos estamos prontos para dar esse passo!

Só sei que de todas as pessoas que andam muito preocupadas com este tipo de questões os meus pais são os únicos que não colocam em causa coisa nenhuma. Se calhar são os únicos para além de mim, do meu namorado (e amigas) a ter fé nisto tudo e que sabem que do longe se faz perto e que facilmente me poderão visitar assim como eu."

18 de Maio de 2013

10.5.16

I'll give you the sun

Foi há quatro dias que li o melhor livro da minha vida. Ainda estou a assimilar tudo aquilo que aquele livro proporcionou em cada célula do meu corpo. Já li livros muito bons ao longo dos meus vinte e seis anos, mas nenhum que fosse tão mágico e indescritível como este. I'll give you the sun (Eu dou-te o sol na versão Portuguesa) de Jandy Nelson trouxe magia e o sol à minha vida. 

Cotação Goodreads: 4.15/5
A minha cotação: 5/5
I'll give you the sun é um livro acerca da vida de dois irmãos que têm a particularidade de serem gémeos. Umas vezes a história é-nos contada pela perspectiva de Noah e outras vezes pelo olhar da Jude. Aos 13 anos Noah era um rapaz tímido e solitário que aproveitava todos os momentos para desenhar e pintar. É também com esta idade que se apaixona pela primeira vez e aprende a lidar com todos os sentimentos que giram à volta do rapaz que vive na casa ao lado da sua. Jude por sua vez é uma jovem rebelde que adora saltar das ravinas para mergulhar no mar e fazer esculturas de areia. Três anos depois (quando ambos têm 16 anos) e depois de um acontecimento que afectou a vida de ambos percebemos que a proximidade que antes existia entre eles se encontra profundamente abalada. Noah desistiu de pintar e Jude tenta ser invisível aos olhos dos outros. Noah e Jude mal falam um com o outro ignorando o facto de que cada um deles conhece metades distintas da história da sua vida e que só conseguirão seguir em frente depois de se reaproximarem pois só assim poderão, juntos, reconstruir o seu mundo.

I'll give you the sun é um livro que fala de reconciliação e de como, eventualmente, o sol volta a brilhar na nossa vida. Fala também de amor, mas o amor é apenas parte da história. É ainda um livro que nos mostra de uma forma engraçada e peculiar aquilo em que eu sempre acreditei: todas as pessoas que surgem na nossa vida surgem por um motivo e não por acaso.  
Dei como cotação no Goodreads 5 estrelas, mas se pudesse este teria um milhão e mais outro como cotação. Existem livros muito bons, mas este é extraordinariamente fantástico. E belo.

Por fim deixo-vos uma música que ouvi pela primeira vez enquanto fazia o almoço de sábado e que a ouvi-la só pensei "Isto é tão Jude e Noah!"

Portugal. The man - The Sun

7.5.16


Existem livros que queremos ler com toda a calma do mundo como se estivéssemos a saborear pela primeira e última vez o néctar dos Deuses e depois há outros em que queremos devorá-los como se o mundo fosse acabar amanhã e não quiséssemos correr o risco de ficar a meio da história. 

6.5.16

Pessoal | Um jardim sem flores vs um enorme prado com flores selvagens

A altura em que todas as minhas amigas começam ou a casar ou a ter filhos chegou. É um facto. Daqui a doze dias casa uma, em Agosto outra, outra prepara-se para o nascimento da sua primeira filha e entretanto a minha mãe lembra-se de começar a dizer-me que um casal sem filhos é como um jardim sem flores como que a dizer-me "Raspberry estás quase a fazer 27 anos, já namoras há uma carrada de anos e para além de ainda não terem casado ainda não me dás netos, como te atreves?!" ou então simplesmente está a dizer-me que eu e ele somos um casal incompleto por ainda não termos cedido às leis da sociedade.

Sempre soube que me queria casar assim como sempre fiz questão de acompanhar esta afirmação com um "mas". O meu mas resumia-se à vontade de casar, mas não pela Igreja porque não sinto que necessite da aprovação da religião para que o meu casamento seja válido. Sim, da religião porque Deus se ele existe deve aprova-lo independentemente deste estar ligado ou não a qualquer tipo de religião. No inicio a minha mãe dizia-me para não dizer "asneiras", mas com o tempo habituou-se à ideia e talvez seja por isso que não me chateie acerca do porquê de ainda não nos termos casado. Apenas não o fizemos porque ainda não temos condições para o fazer como realmente queremos e se não as temos não vamos casar só porque sim. Ponto. No entanto, nunca preparei o coração da minha mãe para a possibilidade de vir a ter filhos tão ou mais tarde do que ela se é que alguma vez os terei e portanto aquele enorme coração desejoso por ter netos apoquenta-se com o facto de as pessoas à sua volta já terem netos e ela não. 

A verdade é que até bem pouco tempo não sabia se queria ser mãe e apenas não o dizia em voz alta porque até a mim me incomodava não sentir nada quando via bebés. Quando digo que não sentia nada era mesmo um não sentir. Apenas olhava para eles como sendo coisas incapazes de fazer coisas. Achava incrivelmente estúpido as tentativas forçadas de interagir com eles. Achava parvas aquelas vozes finas que quase todas as pessoas fazem na presença destes pequenos seres. Não lhes achava piada e sempre que alguém se atrevia a pôr-me um bebé nos braços eu só ficava a olhar para "aquilo" e a pensar "sim e agora? O que querem que eu faça com isto?" e tratava logo de o largar nos braços de outra pessoa. Simplesmente não sentia. Não sentia empatia por bebés o que fazia com que não sentisse vontade de ser mãe. Reparem que estou a usar o passado. Não sentia, mas já sinto. No ano passado passaram-me uma vez mais um bebé para os braços e de repente senti. Gostei de ter aquela coisa fofa com olhos gigantes de quem desconhece o mundo e que está pronto para absorver tudo o que o rodeia no calor do meu abraço. Gostei de o olhar e o ver a sorrir-me e a fazer-me sorrir. Foi naquele momento que percebi que afinal o desejo de ser mãe habita em mim, mas é um desejo calmo e sereno. Sem pressa. 

Continua a incomodar-me que me perguntem quando é que tenho filhos como se eu devesse qualquer tipo de justificação. Incomoda-me ainda mais quando a minha mãe me diz que um casal sem filhos é como um jardim sem flores acompanhado por um grande grau de sentimentalismo enquanto me diz que o dia em que nasci e me pegou nos braços foi o dia mais feliz da sua vida e da vida do meu pai. Eu acredito nela, a sério que acredito. Mesmo que não acreditasse nas suas palavras bastaria olhar para as fotografias em que eu ainda era uma recém-nascida nos braços dos recentes pais. As fotografias não enganam nem a forma como me olhavam e ainda me olham em certos momentos. Contudo, neste momento sinto que somos um casal completo e feliz como se fossemos um enorme pardo com flores selvagens, vaquinhas a pastar, cavalos a correr em liberdade, borboletas a sobrevoar no horizonte... Sinto que quero ser mãe, mas neste momento também sinto que sou extremamente e plenamente feliz a ser só e apenas eu e ele e por enquanto isto basta-me.  

3.5.16

O que já aprendi com a entrada de 2016

Só te importas com o que os outros pensam ou deixam de pensar acerca de ti, das tuas escolhas, de como é o teu corpo, de todas as decisões que tomaste e que estás prestes a tomar quando tu também pensas nessas mesmas coisas e acreditas que aquilo que os outros pensam é de facto verdade. A partir do momento em que te sentes confiante acerca daquilo que és, daquilo que fizeste e do que estás prestes a fazer aquilo que os outros pensam ou possam pensar vale zero. 


2.5.16

Livros | The girls they left behind

Cotação Goodreads:4.18/5
A minha cotação: 4/5
Durante o mês de Abril li apenas um livro não porque estivesse extremamente ocupada ou cansada, mas antes porque me encontrava a ler um livro intenso e queria muito lê-lo lentamente de forma a absorver cada fragmento da história. O livro escolhido foi o The girls they left behind da escritora Lilian Harry - um livro já antigo (com cerca de 20 anos) e que relata um lado da história da Segunda Grande Guerra que apesar de conhecer nunca tinha lido nada segundo aquela perspectiva. Sabendo o titulo fica fácil saber que o livro fala num primeiro plano das mulheres que ficaram nas cidades, vilas e aldeias a cuidar dos filhos, das casas e que mais tarde acabaram por ocupar os trabalhos que apenas competia aos homens e num segundo plano surgem os homens que visitam a família depois de terem combatido durante semanas ou meses e as noticias daqueles que acabaram por perder a vida em combate.

O livro passa-se em 1940 numa pequena localidade chamada April Grove. Muitas são as mães que vêm partir os seus filhos ou para o campo de batalha ou para o campo onde acham que os seus pequenos rebentos encontrarão a segurança necessária e onde não correrão o risco de perder a vida com os vários bombardeamos que vão havendo não só em April Grove, mas um pouco por todas as cidades do Reino Unido. Betty Chapman contrariamente à vontade do seu pai decide juntar-se ao "Land Army" onde vai fazendo todo o trabalho de campo necessário para que as aldeias vizinhas continuem a receber leite e os alimentos necessários de forma a garantir a sobrevivência dos seus habitantes. É nesta fazenda que Betty conhece mais duas raparigas de quem se tornará inseparável e onde irá conhecer aquele que lhe arrebatará o coração e que lhe abalará todas as suas crenças pré-concebidas em relação à guerra. Em April Grove encontramos Olive que se casou alguns dias antes de ver o seu marido partir para a guerra; Nancy Baxter que vai dando algum conforto aos homens que ficaram e aos homens que estão prestes a partir em troca de alguns trocos enquanto o seu filho corre pelas ruas de April Grove em busca de bombas que não explodiram e outros artefactos de guerra juntamente com mais dois amigos. É ainda em April Grove que encontramos dezenas de mulheres que saem de suas casas todas as noites em que há bombardeamentos para se dirigirem aos hospitais e às ruas de forma a ajudarem a transportar e a cuidar dos feridos; é ainda o local onde vemos que os homens mais velhos mesmo não sendo chamados para combater continuam a ter como obrigação defender o local onde vivem e é ainda em April Grove que observamos que a inocência de quem ainda é criança consegue permanecer quase intacta mesmo quando tudo à sua volta está em ruínas.  

The girls they left behind foi um livro que me fez chorar em várias páginas principalmente onde de forma tão clara e precisa era-me relatado o olhar de quem saía dos abrigos e em seu redor só via destruição. No geral trata-se de um livro bastante interessante e que recomendaria a qualquer pessoa que goste de ler livros que falem sobre esta temática.  

29.4.16

Ainda falta muito para Agosto?

Depois de dois anos a festejar os anos dele em Terras de Nossa Majestade e depois de dois anos a ter o privilegio de passar o meu dia com todos os que me aquecem o coração este ano decidimos mudar e fazer algo diferente. Em Julho rumamos a Portugal para matarmos saudades das nossas pessoas, para vermos como os mais recentes membros da família cresceram, para ir à praia e matar saudades da comida Portuguesa. Na primeira semana de Agosto iremos passar o meu dia em grande: a viajar! A indecisão foi muita já que destinos que nos agradem são imensos, mas depois de pesar todos os gastos e tempo de férias disponíveis acabamos por escolher Dublin, Irlanda como destino final. Serão apenas alguns dias, mas tenho a certeza que serão inesquecíveis (pela positiva, espero eu) e  muito bem preenchidos! I can't wait!


28.4.16

Das coisas que me fazem sorrir



Existem várias coisas que me fazem sorrir, mas os momentos em que não estou à espera de o fazer são aqueles que me dão um bocadinho mais de prazer. Hoje enquanto lia uma passagem do livro que ando a ler deparei-me com uma parte em que uma das personagens dizia que conseguia visualizar a alma de todas as pessoas que ele desenhava e que a alma da mãe dele era um enorme girassol e isto fez-me voltar atrás no tempo e sorrir. Fez-me recordar um dos muitos momentos felizes que vivi enquanto estudante universitária em que uma das minhas amigas que adorava desenhar certo dia a meio de uma aula disse-me "a tua consciência seria uma flor" e quando voltei a olhar já ela tinha desenhado uma flor toda bonita com um pormenor que ainda hoje me faz soltar uma valente gargalhada. Não era apenas uma flor; era uma flor com as mãos na anca!  

Ah o tempo, esse maroto!

Os Ingleses costumam dizer que quando não há Inverno a sério, também não há Primavera a sério e eles lá devem saber o que dizem. Se no ano passado a roupa de Inverno já tinha saído do armário para dar espaço à de meia estação este ano ainda continuo a usar as minhas camisolas quentinhas acompanhadas pelos meus sobretudos preferidos. A verdade é que nestes últimos dias não nos tem faltado nada e por não faltar nada refiro-me às diferentes condições meteorológicas. Num mesmo dia conseguimos ter sol e céu azul, chuva forte, granizo e neve. Tudo isto acompanhado com um frio gelado que nem no Inverno propriamente dito esteve! 

26.4.16

Pessoal | Acerca das relações humanas



Com o tempo aprendi que é preferível dizer o que tenho a dizer mesmo que a outra pessoa possa vir a ficar chateada do que permanecer calada como que à espera que a outra pessoa venha a aperceber-se, por um acto de magia ou inspiração divina, que me magoou de alguma forma. Zangas podem facilmente ser resolvidas se ambas as partes estiverem predispostas a isso enquanto que ressentimentos apenas servem para minar relações. 

18.4.16

A 18 de Abril de 2007 algo de mágico aconteceu...



Nove anos passaram desde que passamos a fazer parte da vida um do outro e desde então que cada ano tem sido tão ou mais incrível do que o anterior. Parabéns a nós por mais um ano cheio de amor, carinho, zangas, reconciliações, amizade, sorrisos, cumplicidade, lágrimas e gargalhadas também. Parabéns a nós por sermos simplesmente perfeitos um para o outro tal como somos. 

17.4.16

Coisas que me acontecem


É oficial: a minha máquina de lavar roupa odeia-me. Depois de ter rasgado parcialmente duas t-shirts que uso no ginásio hoje decidiu atacar novamente! 



13.4.16

Sociedade | Mulheres aquele ser do demo



Hoje no Expresso pode-se ler que numa escola da Nova Zelândia - esse país super evoluído onde dizem que as pessoas são extremamente felizes e que é um local de sonho para se viver - cerca de quarenta raparigas de uma escola secundária foram chamadas à atenção devido ao comprimento das suas saias do uniforme escolar e foi-lhes pedido para que as baixassem até ao joelho. A justificação obviamente não poderia ser nem mais machista nem mais previsível. 

Tratando-se de um uniforme escolar perceberia se a razão para pedirem para que baixassem as saias até aos joelhos fosse devido às regras desse mesmo uniforme, mas recuso-me a aceitar que a razão foi porque com as saias acima do joelho faziam com que professores e funcionários não conseguissem fazer o que lhes compete de forma eficiente e porque para além disso muitos dos seres masculinos que por lá andam poderiam ficar distraídos e com a mente repleta de pensamentos pecaminosos. Mais uma vez a mulher e a roupa que ela decide usar aparece como sendo a culpada pelo facto de os homens, coitados, não conseguirem controlar os seus pensamentos e instintos mais animalescos. 

Não sei quão curtas as saias estariam e sei que muito provavelmente ir para a escola ou para o trabalho com uma saia que mostre a maior parte das pernas não será a escolha mais apropriada, mas uma coisa é falarmos de vestuário apropriado para o local X e outra coisa é dizer que não podemos usar isto e aquilo para a nossa própria segurança. Pergunto-me até quando esta ideia em que o culpado é a mulher e não o homem continuará tão presente na cabeça de tanta gente. Quando é que a sociedade em geral irá parar de culpar a mulher por ser assediada e/ ou violada porque naquele dia decidiu usar aquele vestido ou aquele top mais decotado?

12.4.16

Acerca do exercício físico


Existem dias em que correr durante meia hora não é nenhum sacrifício tem outros em que ao fim de oito minutos já só nos apetece falecer e que mesmo assim continuamos e quando vamos a ver só paramos aos 22 minutos. 

4.4.16

Livros | O meu mês de Março em Livros

Ao longo do mês de Março li três livros: um que li num ápice de tão bom e alucinante que era, outro do qual não gostei nem um bocadinho e ainda outro que ainda estou a assimilar todas as sensações que me fez sentir ao longo da sua leitura.

Sempre gostei de começar pelo pior e terminar com o melhor e assim sendo vou começar este pequeno artigo de opinião (será que vai ser mesmo pequeno?) pelo livro que menos gostei. 

Cotação Goodreads: 3.99/5
A minha cotação: 2/5
Depois de ter lido o primeiro volume da saga Jack Reacher sem ter ficado minimamente convencida decidi dar uma segunda oportunidade àquele que o meu namorado era capaz de jurar a pés juntos que era mesmo muito bom (aliás ele deu-lhe cinco estrelas no goodreads), mas como isto do gosto é muito subjectivo eu acabei por lhe dar apenas duas estrelas. 
Em Die Trying encontramos mais uma vez Jack no local errado à hora errada. Ele simplesmente queria ajudar uma mulher que se encontrava a sair da lavandaria com uma montanha de roupa, mas acabou por ser raptado juntamente com a jovem que se viria a saber que era uma agente especial do FBI. Dentro da mala de uma carrinha e sem saber exactamente a direcção que estavam a tomar Jack Reacher sentia-se indefeso e obrigado a continuar esta viagem contra a sua vontade tendo sempre a esperança de vir a conseguir escapar e a salvar a jovem. Quando finalmente a carrinha pára e voltam a ver literalmente a luz do sol dão de caras com um acampamento no meio do nada onde as pessoas estão completamente convencidas de que todas aquelas teorias da conspiração de que já todos ouvimos falar são mesmo verdade e por essa razão pretendem declarar a sua independência. Do que gostei: o enredo é bom e cativante e a verdade é que é sempre interessante ler acerca de alguém que se torna no líder de algo muito semelhante a uma ceita e que sabe-se lá como consegue mesmo convencer dezenas de pessoas que as coisas se passam de certa forma e não de outra. Do que não gostei nem um bocadinho: o que me aborreceu de morte foram todas aquelas páginas que explicam o porquê das coisas. Aqui me confesso: em livros de acção quero acção não quero saber toda a ciência por detrás do tiro nem quero saber os diferentes tipos de armas que existem e tampouco quero saber acerca de tudo aquilo que pode fazer com que a bala não atinja o nosso alvo. Apesar de me ter permitido saber coisas que até então desconhecia acerca de armas e da técnica de tiro a verdade é que todas estas páginas demasiado cheias de informação fizeram com que eu achasse o livro um pouco aborrecido.

Cotação do Goodreads: 3.86/5
A minha cotação: 4/5
Depois de um livro tão aborrecido Downfall de Jeff Abbott surgiu na minha vida como uma lufada de ar fresco. Trata-se do terceiro livro da saga de Sam Capra (para saberem a minha opinião acerca do primeiro e do segundo volume sigam os links).
Sam Capra procurava uma vida calma numa cidade pacata onde o tempo para ser pai e para manter os seus bares em funcionamento coincidiriam, mas tudo muda quando Diana entra no seu bar soprando um "ajuda-me" enquanto era perseguida por dois homens armados. Procurando salva-la Sam acaba por matar um dos agressores e consequentemente acaba por atrair a atenção não só da policia e dos jornalistas, mas acima de tudo acaba por atrair a atenção de Belias - o mestre do crime, capaz de realizar qualquer sonho de qualquer pessoa por um preço. Ao longo das 400 páginas vamos descobrindo um pouco mais acerca da rede de contactos de Belias e quem dela faz parte ao mesmo tempo que nos questionamos acerca do que estaríamos dispostos a fazer para termos tudo aquilo que mais desejamos (quer seja sucesso profissional quer seja uma vida segura e pacata onde a nossa segurança e a segurança de quem mais amamos estivesse garantida).
A história como sempre passa-se a um ritmo alucinante tornando-o num daqueles livros proibidos de serem lidos naqueles cinco minutos antes de cairmos no sono. Pousar o livro e voltar ao mundo real torna-se numa tarefa pesada e difícil. Jeff Abbott é um escritor brilhante e atrevo-me mesmo a dizer que é o mestre no toca a descrever cenas de acção e de luta ao mesmo tempo que consegue criar momentos em que ficamos com o coração nas mãos e ansiosos pelo que poderá vir a seguir. 

Cotação Goodreads: 4.19/5
A minha cotação: 4/5
All the Bright Places foi o último livro que li no mês de Março e foi aquele que foi capaz de encher e de partir o meu coração em mil pedaços. Trata-se de um Young Adult e de uma certa forma fez-me recordar dois livros que já li e que já aqui falei deles. Por um lado recorda-nos o amor doce de Eleanor&Park e por outro lado também nos faz recordar em certos momentos A Culpa é das Estrelas. Quando abri este livro não sabia muito bem o que esperar, mas no final a única coisa que me apetecia verdadeiramente fazer era ficar em posição fetal e chorar por ter sido tão bonito, triste e intenso. All the Bright Places é um livro que aborda temas como: a depressão, o sentir-se sozinho, o ser-se olhado como sendo uma pessoa estranha e acima de tudo é um livro que nos mostra o valor da amizade verdadeira e do amor. No entanto, também é um livro que nos mostra que nem sempre a amizade e o amor conseguem por si só salvar-nos.
Violet vive a contar os dias que faltam para terminar o secundário e começar uma nova vida ao mesmo tempo que se encontra a aprender a viver sem a sua irmã que morreu num acidente de carro. Finch é o rapaz estranho da escola que tem comportamentos estranhos e que é obcecado pela própria morte. Tal como Violet encontra-se em sofrimento, mas acima de tudo encontra-se num estado depressivo profundo. Violet e Finch conhecem-se na torre da escola, mas é no momento em que o olhar de um se cruza com o olhar do outro que decidem que aquele não será o dia da sua morte. É a partir de então que começam a passar cada vez mais tempo juntos e a trabalhar no mesmo grupo para um trabalho de uma disciplina em comum. Juntos vão visitando os vários pontos turísticos ou de interesse do estado onde vivem (Indiana) ao passo que Violet vai aos poucos enfrentando aqueles que se tornaram os seus medos e aprende uma vez mais a viver e a ultrapassar a sua dor enquanto que Finch permanece o mesmo Finch. 
Muito havia ainda para dizer acerca deste livro, mas no essencial apenas resta dizer que este livro apesar de nos encher e partir o coração em mil pedaços alerta-nos para um tema que evitamos falar: o suicídio e a forma tão distinta como encaramos a morte de quem simplesmente morreu e a morte de quem decidiu que já não valia mais a pena viver. 

Já leram algum destes livros? Se sim, qual a vossa opinião? 

1.4.16

Actualidade | "The Secret War Crime"

Hoje dei de caras com um artigo feito pela revista Time. Nele era abordado um assunto que na maior parte das vezes acaba por nos passar ao lado. É abordado uma vez ou outra pelos jornais, mas rapidamente é encaminhado para uma parte recôndita do nosso subconsciente. Sabemos da sua existência, mas fazemos de tudo para ignorar a informação que nos chega. Os crimes levados a cabo durante a guerra do Congo poderá servir de exemplo. 

O artigo que encontramos na Time fala de um crime de guerra que todos sabemos que é comum a qualquer guerra, mas que por uma razão que me é desconhecida passa de certa forma despercebido. Todos sabemos que as violações acontecem durante qualquer guerra seja uma guerra que ocorre em solo Europeu quer seja uma guerra que ocorre em qualquer outro solo. No entanto, abordamos este crime em segredo como se o facto de não falarmos dele fizesse com que ele caísse no esquecimento e ao cair no esquecimento seria como se nunca tivesse acontecido.

O artigo é duro e cru como assim tem de ser. Nele encontramos vários relatos de mulheres que perderam quase tudo. Mulheres que viram os seus maridos serem mortos à sua frente; mulheres que viram os seus filhos serem arrancados dos seus próprios braços; mulheres que viram as suas filhas a serem levadas para serem violadas não por um, mas por vários homens; mulheres que foram violadas; mulheres que viram as suas filhas serem violadas até à morte; mulheres que se viram grávidas dos violadores; mulheres que sobreviveram à dor física e psicológica da violação; mulheres que viram as suas famílias a afastarem-se delas por estas terem deixado de ser consideradas puras pela sociedade em que vivem; mulheres que sobreviveram ao abandono dos seus maridos por terem sido violadas. São relatos absolutamente assustadores e arrepiantes. 

O homem é capaz do melhor e do pior, mas é impressionante como é que o homem consegue ter tanta imaginação para fazer o pior dos piores. Guerra é guerra e sendo ela o que é nunca poderia ser bonita e um mar de rosas, mas há coisas que simplesmente não se percebe e que me ultrapassam. Como é que violar todas as mulheres do "inimigo" vai fazer com que fiquem mais próximos de ganhar ou que cheguem mesmo a ganhar a guerra? Porquê que violar por si só não chega? Porquê que para além de violarem ainda têm de fazer coisas impensáveis como pegar numa arma e atirar para dentro da vagina da mulher? Porquê que depois da convenção de Genebra estes crimes continuam a não ser punidos? 

Parece mentira, mas apesar de ser dia um de Abril nada disto é mentira. Muito pelo contrário. 

Se quiserem ler o artigo: The Secret War Crime

30.3.16

Facto


Detesto quando recebo algum email com alguém a tratar-me pelos meus dois primeiros nomes.
 Parece sempre que estão a querer ralhar comigo. 

27.3.16



Façam o favor de terem um óptimo Domingo de Páscoa. Por estes lados e com a religião completamente de parte é dia de almoço com os sogros e com amigos especiais enquanto nos sentamos à volta da mesa a comer coisas boas e partilhamos os mais diversos acontecimentos. 

25.3.16

Crónicas de uma vida a dois


Sextas-feiras são sinónimo de pizza no sofá e de coca-cola no copo enquanto devoramos mais um filme ou mais um episódio de uma das séries que ambos acompanhamos. 

24.3.16

Actualidade | O Mundo de hoje


Viver por si só é assustador. É assustador não sabermos como será o dia de amanhã ou como estaremos daqui a dois anos. O desconhecido assusta, por isso evitamos pensar demasiado no futuro limitando-nos a viver um dia de cada vez. A vida assusta-nos porque o próprio mundo também ele é assustador. 

Ter o Donald Trump a concorrer para as presidenciais dos Estados Unidos é assustador. Saber que existem pessoas que se identificam com os seus ideais absolutamente ridículos, machistas, racistas e xenófobos também é assustador. Saber que partidos de extrema direita começam a ganhar cada vez mais apoiantes um pouco por toda a Europa também é verdadeiramente assustador. Assim como também nos assusta o facto de um dia estar tudo bem e no dia seguinte o nosso mundo estar em ruínas. Assusta acordar e perceber que o mundo está diferente de quando nos deitamos. Assusta perceber que existe um grande número de coisas que foge não só do nosso controlo, mas que também pessoas treinadas para detectar acontecimentos catastróficos nem sempre conseguem controla-los e / ou evitá-los como gostaríamos que acontecesse. 

O atentado de Paris abalou o nosso mundo. Os atentados que têm acontecido na Turquia também. O atentado em Bruxelas igualmente. Vivemos num mundo assustador porque nele existem pessoas verdadeiramente assustadoras e doentes. É horrivel como num espaço de segundos o nosso mundo fica abalado e dezenas de pessoas morrem e outras centenas ficam feridas só porque meia dúzia de "pessoas" e às vezes nem isso acharam por bem fazer um ataque ao mundo ocidental e à humanidade em geral em nome do fanatismo religioso.

Penso na quantidade de famílias à espera que sejam identificados todos os mortos e todos os feridos e só sinto vontade de chorar porque imagino como deve ser frustrante e angustiante não saber se o pior aconteceu ou não. Penso na quantidade de viagens que faço por ano nos vários aeroportos de Londres e questiono-me se um dia não poderei ser eu ou alguém que me venha visitar. Penso na quantidade de viagens que ele faz por ano em trabalho para diferentes partes da Europa e penso "e se um dia é ele?" Penso na quantidade de amigos que tenho a viver nas várias capitais e pergunto-me "e se um dia são eles?" Penso porque é impossível não pensar, mas depois também penso que é exactamente isto que os terroristas pretendem obter: instalar aquele pequeno verme que é o medo no interior de cada um de nós. E como em tudo na vida não podemos deixar que o medo tome controlo da nossa vida e por isso continuamos a viver mesmo que o mundo seja assustador, mesmo com a possibilidade de coisas más acontecerem porque só dessa forma somos capazes de demonstrar que ainda não foi desta que fomos vencidos. 

17.3.16

My Fit Self Challenge | Todas as [pequenas] vitórias merecem ser celebradas!


Seis meses passaram desde o dia em que levei um daqueles choques da realidade tão grandes que quase me dava uma coisinha má. Foi em Setembro que me apercebi que algo de muito errado se andava a passar comigo e que finalmente tinha chegado a altura de pôr um ponto final nessa situação. A minha avó morreu, sim foi uma merda ela ter morrido sem que eu tivesse a oportunidade de me despedir dela. Assim como também foi uma merda o facto de ela ter morrido sem que eu lhe tivesse dito que tudo estava bem entre nós. Sim, demorou muito tempo a perdoar-me pelo que não fiz por ter achado que havia tempo, mas também foi uma autêntica merda o facto de ter começado a comer porcaria atrás de porcaria para preencher vazios que por mais que fossem alimentados continuavam exactamente iguais. 

O calendário marcava o mês de Setembro de 2015; a minha balança marcava 69kg e os meus olhos não gostavam do que começavam a ver em frente ao espelho. Não sei ao certo como aconteceu, mas acredito que o processo de cura foi iniciado bem antes de eu ter dado conta dele. Em Setembro disse "BASTA!". Não pensei duas vezes e inscrevi-me no ginásio. Comecei uma reeducação alimentar. Deixei de ter doces em casa passando apenas a ter bolachas tipo Maria porque sabia que a essas conseguia resistir e que não me daria vontade de comer o pacote inteiro em tempo recorde. Passaram seis meses e ainda não voltei a ter nenhuma recaída, isto é. ainda não me deu para sair de casa, enfiar-me num qualquer supermercado e trazer para casa um sem número de chocolates e sentar-me no sofá a come-los como se fosse a coisa mais natural do mundo. Seis meses passaram desde que decidi que era altura de fazer as pazes comigo mesma e com a minha avó. Já não choro às escondidas, já não como às escondidas, já não me sinto vazia nem miserável. Voltei a ser feliz comigo mesma e aceitei o facto de que a minha avó ter morrido foi mesmo uma grande merda, mas percebi que ninguém escolhe a altura em que morre e que certamente de uma forma ou de outra ela deve ter percebido que tudo estava bem entre nós mesmo que eu não lho tivesse dito. 

Seis meses passaram e cinco quilos já foram à vida e um desses quilos foi perdido durante o My Fit Self Challenge (yay!). Pode parecer muito para alguns e pouco para outros. Afinal de contas nem um quilo por mês foi, mas para mim tem sido uma vitória atrás de vitória. A cada semana noto que algo no meu corpo mudou e que aos poucos se está a tornar naquilo que um dia foi e o facto de durante todo este processo não ter tido uma vontade louca de comer chocolates nem ter ganho peso já é o suficiente para me deixar super feliz e orgulhosa de mim mesma. 

16.3.16

Receitas | Acerca dos pequenos-almoços que sabem a sobremesa

Já aqui confessei que adoro papas de aveia logo pela manhã porque me fornece a energia e saciedade necessárias para aguentar uma manhã agitada e sem pausas para mini-lanches. Contudo, há algumas semanas atrás decidi experimentar as tão famosas (pelos menos por cá) overnight oats que são extremamente fáceis de fazer, não se fica com a sensação de estômago pesado como acontece quando fazemos papas de aveia a mais ou demasiado consistentes e ainda tem a vantagem de na manhã seguinte já estar pronto a comer sem ser preciso acrescentar rigorosamente nada. 

A receita é do mais simples que há e acreditem que sabe mesmo a sobremesa, mas daquelas em que não têm que se preocupar com as calorias - o que é ainda melhor! Se experimentarem não se esqueçam de me dizer o que acharam. Para terem acesso à receita propriamente dita cliquem em "ler mais".


15.3.16

Cinema | Flipped (A Descoberta do Primeiro Amor)

Este fim-de-semana vi mais filmes do que aqueles que costumo ver num conjunto de quatro meses. Apesar de ter estado um sol simplesmente maravilhoso a vontade de ficar em casa a descansar e a repor energias foi mais forte. Flipped foi um dos escolhidos não só porque já tinha lido opiniões bastante positivas acerca do mesmo, mas principalmente porque algo me dizia que este iria ser daqueles filmes fofos que não me iriam desiludir e que me iria encher o coração. Posso já adiantar que decididamente não me desiludiu e que realmente fiquei de coração cheio.   

Flipped é um romance contado a duas vozes. Uma delas é a de Juli e outra é a de Bryce. Juli e Bryce para além de serem duas crianças também são vizinhos e são colegas de turma na mesma escola. Na primeira vez que Juli Baker se cruzou com Bryce Loski o seu coração deu um salto e apaixonou-se. Quando Bryce Loski viu pela primeira vez Juli Baker ele fugiu. Juli estava convencida de que se encontrava irremediavelmente apaixonada por Bryce e como tal estava mais do que pronta a conquistar o seu coração mesmo que isso a levasse a ter comportamentos estranhados como cheira-lo e abraça-lo constantemente. Bryce estava convencido que o melhor era manter-se o mais longe possível de Juli mesmo que isso o obrigasse a tomar atitudes que aos poucos iam partindo o coração da nossa pequena e adorável Juli. 

Trata-se de uma história simples, mas é precisamente em toda esta simplicidade de acontecimentos e de comportamentos que está reunida toda a magia deste filme. Bryce e Juli fazem-nos suspirar em muitas cenas e soltar uma gargalhada noutras tantas. São personagens adoráveis e que nos fazem ficar de coração cheio. São personagens que nos fazem recordar algumas situações caricatas de quando também nós éramos pessoas de palmo e meio. Flipped relata a magia do primeiro amor e como diferentes pessoas reagem face à primeira paixão e como se poderão apaixonar e desiludir em tempos diferentes conforme vão crescendo. 


11.3.16

Words from the heart | A minha avó

A minha avó era uma mulher cheia de força, garra e de emoções. Lembro-me de me sentar muitas vezes ao seu lado e de ela me dizer que gostava muito de ter continuado os seus estudos e que ficou imensamente infeliz quando os pais dela decidiram ao fim do quarto ano tira-la da escola. Justificava-os dizendo que naquele tempo a escola era vista como sendo apenas necessária para os meninos e que as meninas apenas precisavam de fazer o mínimo. Sempre que falava disto os seus olhos brilhavam. Metade por emoção e a outra metade por orgulho de ao fim de tantos anos ainda ter guardado o diploma da quarta classe que não se cansava de mostrar como que a provar que aquilo que dizia era de facto verdade. 

Contava com alguma tristeza como foi mãe solteira num tempo em que não o deveria ter sido. Como o pai do seu filho não quis saber dela assim que soube que ela se encontrava grávida, mas sempre com a gratidão na voz por os seus pais a terem apoiado numa altura em que não deve ter sido fácil fazê-lo já que era contra as normas da sociedade da altura. Acabou por se casar com aquele que seria o avô que nunca conheci a não ser por fotos. Referia-se a ele como "o meu companheiro, aquele sacana". Era muito pequena quando um dia olhei para o seu braço e lhe perguntei o que era aquela marca que ela tinha. Disse-me que tinha sido o seu querido companheiro, aquele sacana que um dia ao chegar a casa e depois de se deparar com o ferro de passar a roupa ainda em cima da banca lho pousou no braço de forma a provar que ela era uma mentirosa e preguiçosa porque o ferro já estava frio. Estava quente e aquela marca ficou para sempre no seu braço. Foram tantas as histórias que fui ouvindo acerca do meu avô que com o tempo apercebi-me que não me lembro de alguma vez ter ouvido algo de bom acerca dele. A minha avó foi vitima de violência doméstica num tempo em que este termo não existia. 

Viveu em Moçambique antes do ultramar. Adorou viver lá e contava como as outras mulheres a olhavam de lado por não ter uma pretinha a tratar-lhe da casa. Relatou-me mil e uma histórias acerca das peripécias que se passaram tanto em Moçambique como em Portugal levadas a cabo pela minha mãe e pelo meu tio. Contou-me como deixou de gostar de bananas e como foi horrivel fazer aquela viagem de barco de Portugal a Moçambique e depois de Moçambique até Portugal.
A minha avó e o meu avô construíram duas casas. Trabalharam ambos na construção de ambas. Uma delas tornou-se na casa onde sempre vivi e a outra que fica mesmo ao lado acabou por ser vendida depois do divórcio que ocorreu logo depois do 25 de Abril. A minha avó nunca mais voltou a apaixonar-se. Já o meu avô voltou a casar-se e apesar de viver relativamente perto acabou por perder o contacto com os filhos. 

Não sei se alguma vez a minha avó foi verdadeiramente feliz. Acho que não. Nunca me pareceu uma pessoa verdadeiramente feliz. Parecia-me uma pessoa que teve alguns momentos felizes, mas as circunstâncias da vida nunca lhe permitiram que fosse feliz na totalidade. Pergunto-me: como se poderá voltar a ser feliz quando um dos nossos filhos nos escreve uma carta durante a guerra a pedir para deixarmos de lhe escrever, a dizer-nos que não vai voltar a casa e que se quer esquecer da família? Não, não acredito que ela alguma vez tenha voltado a ser feliz se é que alguma vez o foi. A minha avó nunca mais voltou a ver o filho que teve em solteira, mas em momento algum deixou de o procurar. 

A minha avó foi uma grande mulher. Sempre quis e sempre gostou de trabalhar e gostava tanto do local onde trabalhava e do seu patrão que um dia quase que andou à porrada porque os seus colegas de trabalho que se encontravam a fazer greve não queriam deixa-la passar. A minha avó era uma mulher do campo e que gostava de cultivar e de ir vender os seus produtos para a feira. Um dia andou à porrada com outra feirante porque esta lhe roubou o lugar e recusava-se a sair do sítio que não era seu. Nunca ficou a dever nada a ninguém e não descansava enquanto as pessoas não lhe pagassem o que deviam. Não gostava de maquilhagem e dizia com todo o orgulho que possam imaginar que nunca se tinha maquilhado, nunca tinha pintado as unhas e o cabelo e acreditem no que vos digo: ela tinha uma pele absolutamente impecável mesmo sem usar qualquer tipo de creme de rosto. Era a favor da despenalização do aborto, mas achava que a homossexualidade era uma doença (perdoem-lhe). Adorava falar e contar histórias caricatas. Também gostava muito de passear, mas detestava a agitação dos shoppings, a invenção das escadas rolantes e queijo. A minha avó gostava muito de flores, mas não suportava a ideia de lhe darem um ramo de flores. Dizia sempre para lhe darem antes as sementes para que ela as pudesse semear e vê-las crescer. Um dia fui a Espanha e trouxe-lhe uma sevelhana pequenina em louça e tornou-se na sua coisa preferida. 

Para além de uma grande mulher também era uma grande avó. Cozinhava sempre a minha comida preferida: batatas fritas com bife e deixava-me comer na sala em frente à televisão sem que os meus pais soubessem. Um dia deixou-me faltar às aulas porque eu queria muito ajudá-la a tratar dos coelhos. Deixava-me sempre mudar de canal quando ela se encontrava na sala a ver programas de adultos e eu queria ver desenhos animados. Todas as segundas-feiras, quando voltava da casa do meu tio, trazia-me um docinho e dizia-me para não dizer nada aos meus pais. Nunca me bateu mesmo quando eu estava a ser uma autêntica peste. Um dia insisti muito para que ela me levasse a Espanha porque queria comprar os famosos caramelos. Era muito pequena e pensou que iria conseguir enganar-me com relativa facilidade, mas quando chegamos ao local disse-lhe "É "panha" nada, é "pinho"!" (tradução: "É Espanha nada, é Espinho!") ela achou tanta piada que um dia levou-me mesmo a Espanha. 

A minha avó era uma grande mulher e uma grande avó, mas também era uma pessoa e como qualquer pessoa também tinha o seu lado negro, mas disso não me apetece falar. Pelo menos não hoje.