30.5.15

26.5.15

Pessoal | Acerca das coisas que eu adoro

Adoro chocolate e adoro framboesas. Misturem as duas coisas e têm uma Raspberry feliz e consolada da vida à vossa frente. Foi na Chocolataria Equador há alguns anos atrás que encontrei pela primeira vez o meu chocolate de sonho. Parece que foi criado especialmente para mim. Trata-se de um chocolate de leite recheado com um creme de framboesa absolutamente delicioso e viciante.

Para quem não conhece a Chocolataria Equador é uma marca Portuguesa que se dedica ao fabrico de Chocolate Artesanal e que está presente em pelo menos duas cidades Portuguesas: Lisboa e Porto. Nela podemos encontrar vários tipos de chocolates (Bombons, Trufas, Tabletes, entre outras coisas igualmente deliciosas como macarons, diferentes tipos de chocolate quente e outras bebidas como o café). As tabletes são a minha predição e não fossem elas tão caras (cerca de 10€ a tablete) trazia uma de cada porque para além de serem deliciosas os olhos também comem e eu sou perdidamente apaixonada pelos papeis amorosos que são usados para embrulhar os chocolates. Existem chocolates com vários tipos de recheio como cereja, mirtilo, maracujá, manga, morango, entre tantos outros. Eu sou apaixonada pelo de framboesa, mas um dia destes ainda provo o de mirtilo e o de maracujá. Não fossem estas mais duas das frutas que eu adoro. 

Conheci esta loja através da minha melhor amiga que é tão ou mais gulosa do que eu e desde esse dia que virou tradição receber uma tablete desta Chocolataria pela altura do Natal. Desta vez o presente chegou mais cedo e no último dia em que estive com ela e logo depois de darmos aquele abraço em que acaba comigo a dizer-lhe "já chega, não me faças chorar" ela estendeu-me uma tablete de chocolate de framboesa e eu dei-lhe uns chocolates que tinha trazido daqui e pelos quais ela já se apaixonou. No final cada uma ficou com um bocadinho da outra. Eu já afoguei as mágoas no chocolate que me foi oferecido e ela também. 



São ou não são adoráveis os papeis? O chocolate já foi quase todo, mas o papel já mora intacto na minha caixa de recordações e de coisas aleatórias e fofas pelas quais me apaixonei por uma razão ou outra. 

25.5.15

Pessoal | De volta a nossa casa



Sete dias em Portugal. Sete dias cheios de sol, com temperaturas amenas, com muitos gelados, risadas e ovos moles numa tarde ventosa em Aveiro com ele e com os meus pais. Sete dias em Portugal a adormecer e a acordar com as minhas gatas. Sete dias para matar saudades. Sete dias cheios de alegrias, abraços e manhãs passadas no sofá a ver televisão com a minha mãe. Sete dias em Portugal que passaram a correr. Sete dias em Portugal e quinze minutos no cemitério a tentar conter as lágrimas. Sete dias em Portugal sem ler e quase sete dias sem ligar o computador. Sete dias em Portugal e dois aniversários. Sete dias em Portugal a matar desejos gastronómicos. Sete dias em Portugal e um dia passado à beira-mar. Sete dias em Portugal e um ataque de asma misturado com um ataque de pânico (é a explicação mais próxima da realidade que encontro para o que aconteceu já que não tenho asma e nunca tive ataques de pânico) no aeroporto quando estava prestes a embarcar de volta para aqui. Sete dias em Portugal que chegaram ao fim. Agora... o vazio. Amanhã passa. 

18.5.15

Pessoal | As minhas ricas gatas e outras coisas



As minhas gatas são, decididamente, as melhores e as mais fantásticas do mundo. São minhas e isso já é meio caminho andado para ganharem esse estatuto. São únicas e são das melhores coisinhas que tenho na minha vida. Enchem-me o coração e dão-me aquele tipo de amor que eu tanto preciso e do qual já sentia tanta falta. Assim que os meus pais abriram a porta de casa e elas ouviram a minha voz começaram imediatamente a surgir ao fundo das escadas. Uma a uma iam chegando, miando e dando-me turrinhas. Tantas turras que eu recebi, tantas lambidelas, tantas barriguitas viradas para cima à espera que eu lhes desse as devidas massagens. Elas adoram festinhas na barriga e eu adoro aquelas barriguitas gordas e felpudas. Na primeira noite dormiram todas comigo: uma cama de solteiro, eu e três gatas. Uma aos pés da cama, outra ao meu lado encostada a mim e outra que adormeceu também ao meu lado, mas assim que acordei acordei com ela em cima do meu rabo. Ainda estou para perceber o fascínio que os gatos têm em virem dormir para cima dos nossos rabos. 

A Julieta é aquela que me segue para todo o lado e na primeira noite ai daquele que se atravesse a querer pegar nela para a tirar do meu lado. Só me queria a mim e assim que algum dos meus pais tentasse pegar nela era vê-la a espernear-se toda e a correr na minha direcção. Digam lá se ela não é um amor? 

Para além da excelente recepção dos meus pais que estavam à minha espera no aeroporto com um raminho com as minhas flores preferidas e da recepção felpuda também já tive direito a um grande almoço em casa dos pais dele onde pude matar saudades daquela que é a minha família emprestada. Até aprendi a fazer os pontos iniciais do croché e tudo. 
Para a tarde de hoje está reservada uma consulta de rotina no dentista e depois um lanche calórico na companhia da minha melhor amiga.

15.5.15

Falta um dia para ir a Portugal!


Só agora é que fizemos as malas e enquanto ele está sentado no sofá relaxado a jogar mais um daqueles jogos de futebol eu continuo para aqui a pensar se não deveria levar mais um vestido fresco e mais um top...  Pessoal do Porto digam-me: está calor a sério ou está ameno? 

Livros | "On my own I was invisible again"

Não será assim que muitos de nós olham para os sem-abrigo com os quais nos vamos cruzando ao virar de uma esquina, a caminho de casa ou ao pé da paragem onde costumamos apanhar o nosso autocarro para mais um dia de trabalho? Sabemos que estão ali e ao mesmo tempo é como se não estivessem. Ainda não disseram nada e já nós estamos a olhar na direcção oposta e a caminhar disfarçadamente para o outro lado da rua. Ainda não nos pediram nada e já sabemos que não queremos ter nada que ver com eles. Ainda não perguntaram se temos uma moedinha para lhes dar e já temos um “não” preparado na ponta da língua. Não queremos saber a sua história nem como foram parar àquela situação, mas pomo-nos à adivinhar que foi certamente uma qualquer dependência e que o dinheiro que nos pedem é para alimentar o vicio e não um estômago vazio. O que vale é que existem muitos outros que olham para estas pessoas com olhos de ver. Que se preocupam e que estão dispostos a dar a tal moedinha ignorando se esta será usada para alimentar o vicio ou para reconfortar o estômago.

Confesso que é um assunto complicado e que tem muito por onde se lhe pegue, assim como também confesso que nem sempre ajudo aqueles que me pedem dinheiro. Como em tudo na vida: há o bom e o mau e se há os sem-abrigo que ficam realmente felizes e agradecidos pelo que lhes estamos a oferecer (quer seja muito ou pouco) também há aqueles que reclamam quando damos apenas 50cent ou 1€ dizendo que não dá para nada. Há os que aceitam de bom grado que lhe paguemos algo que possam comer e há os que se recusam dizendo que preferem dinheiro. Como eu disse: é um assunto complicado. No entanto, continuo a achar que nada nos dá direito a tratar alguém como se essa pessoa fosse invisível nem a maltratá-la a troco de nada. Se queremos ajudar ajudamos; se não queremos não nos custa nada dizer que desta vez não podemos e que fica para uma próxima.  



A Street Cat Named Bob (2012) fala de tudo isto e muito mais. Fala de um gato chamado Bob que surge inesperadamente na vida de James – um Londrino que ganhava a vida a tocar músicas de bandas como Nivarna e Nine Inch Nails e que lutava contra o seu vicio da droga. De repente e com um novo companheiro a sua vida ganha mais cor e um novo sentido. É principalmente este novo sentido - o de responsabilidade por ter mais uma boca para alimentar e um novo ser para cuidar – que James vai fazendo pequenas mudanças na sua vida sendo que a principal mudança a que se propõe é a de se livrar totalmente da sua dependência.

Apesar de não achar que se trate de um livro espectacular não deixa de ser um livro interessante e que nos faz pensar na natureza humana na sua forma mais crua. É um livro que aborda não só os momentos felizes vividos por James na companhia do seu gato, mas também os momentos de solidão, angústia e de crueldade humana. Pessoalmente, foi um livro que me fez pensar no como a sociedade em geral trata não só os sem-abrigo, mas também como olha para todas aquelas pessoas que tocam e pintam na rua (que podem ser sem-abrigo ou não), mas principalmente fez-me pensar em como eu própria olho para essas pessoas. 


14.5.15

Faltam dois dias para ir a Portugal!

O que por sua vez quer dizer que faltam dois dias para ver as minhas riquezas mais lindas do mundo. Apresento-vos uma delas: a minha Julieta, Juju para os amigos. 

"Olha para mim aqui dentro, tão lindinha e fofinha"
"Estavas a pensar fazer a cama? Esquece lá isso..."

13.5.15

Viver no Reino Unido | Acerca das pessoas com quem me cruzo



Sempre achei que tinha uma tendência para me cruzar com pessoas estranhas e ligeiramente burras, mas em Terras de Sua Majestade acho que essa tendência aumentou consideravelmente. Desde que aqui cheguei que já conheci alguns Ingleses principalmente enquanto trabalhei em sales e enquanto fiz voluntariado numa loja de caridade. 

Por estes lados sempre que conheces alguém pela primeira vez é perfeitamente natural que sejas imediatamente bombardeado com uma série de questões: como te chamas? que idade tens? de onde és? há quanto tempo estás aqui? estás a gostar? não tens saudades do sol? tens família aqui? vives sozinha ou com outra pessoa? és casada ou só vives com o teu namorado? o que gostas de fazer nos teus tempos livres? o que estás a ler? que tipo de música gostas? são algumas das muitas perguntas que costumam fazer logo naquele primeiro contacto. No inicio achei um bocado assustador e invasivo, mas agora já estou mais que habituada, mas há algo que por mais vezes que se repita não consigo deixar de achar estranho. Enquanto que quando te põem a vista em cima pela primeira vez não te largam enquanto não souberem as respostas a todas as questões que lhes surjam na cabeça, depois quando os voltas a ver é como se eles tivessem perdido todo e qualquer interesse que demonstraram ter por ti naquele primeiro contacto. A partir daí as conversas já não vão muito mais além do que um "olá, tudo bem?". Se for segunda-feira perguntam-se se o fim-de-semana foi bom e se for sexta-feira perguntam-te se tens planos para o fim-de-semana e é isto. Depois calam-se e não dizem mais nada. Daí eu dizer que são estranhos. Outro motivo para eu os achar estranhos deve-se ao facto de no dia-a-dia ser raro ver um casal a caminhar de mãos dadas ou de braço dado ou de ver qualquer outro tipo de demonstração amorosa. No entanto, ao fim-de-semana, quando vão para os pubs e bares de diversão nocturna é como se de repente valesse tudo e quando digo tudo é mesmo quase tudo. 

Por outro lado, não são um povo muito dado à cultura geral. Pelo menos os que conheci deixavam muito a desejar. Sempre que me perguntam se falo Espanhol ou se Portugal pertence à Espanha assim que lhes digo que sou Portuguesa dá-me logo vontade de distribuir estalos e por-me a andar. Depois houve aquele dia em que ao dizer que era Portuguesa me disseram que havia uma grande comunidade de Espanhóis em Nottingham e para eu me juntar a eles como se Portugueses e Espanhóis fosse a mesma coisa. Mais tarde houve um que me perguntou onde ficava o Brasil e depois de lhe dizer que ficava na América do Sul e de ficar muito espantado perguntou-me "mas se é assim tão longe por que razão falam Português?" e quando lhe falei dos Descobrimentos olhou-me como se eu estivesse a falar Chinês. Depois houve outro que me perguntou porque razão no Canadá se falava Inglês e Francês quando lhe disse que tinha sido porque umas partes tinham sido colonizadas pelos Ingleses e outras pelos Franceses perguntou-me se eu estava a brincar ou a falar a sério e ainda hoje deve achar que estava a gozar com a cara dele. Depois existem aqueles que dizem que querem sair da União Europeia porque não se sentem Europeus como se ao saírem da União Europeia deixassem de pertencer ao continente Europeu. Para além destes ainda há os que acham que os Ingleses têm todo o direito de ter livre circulação entre os restantes países da União Europeia e se calhar do mundo (sabe-se lá o que eles pensam), mas que acham que todos aqueles que não são Ingleses não devem ter o mesmo direito. Já para não falar dos que não têm qualquer problema em dizer que a culpa da crise (esta gente acha que está em crise!) é dos emigrantes europeus. 

De certeza que haverá algures nesta ilha uns quantos com uma extensa cultura geral e muito mais afáveis do que aqueles com quem me tenho cruzado neste último ano; eu é que ainda não me cruzei com eles.  

12.5.15

Crónicas de uma vida a dois

"Todos os dias me mentes, sabias?" - disse-lhe ontem assim que nos preparávamos para dormir. Ele ficou sem perceber muito bem ao que me referia. Mais tarde, quando já estávamos na cama e quando o último "dorme bem" foi dito e nos preparávamos para um rápido adormecer diz-me ele "Chega-te para lá. Estou na pontinha da cama" ao que lhe respondo "Lá estás tu a mentir-me..." e é isto, todas as noites me acusa do mesmo quando na verdade sou eu que estou na ponta da cama. Enfim... a sorte dele é eu gostar muito dele. 


11.5.15

Livros | O Vale dos Cinco Leões



Ken Follett é daqueles autores que nunca desilude. Fall of Giants (ou Queda de Gigantes como foi traduzido para Português) foi o primeiro livro que li dele e confesso que adorei saber com todo aquele pormenor tudo o que se passou ao longo da Primeira Guerra Mundial, não fosse eu uma apaixonada por História. É daqueles autores que mesmo ao escrever um romance histórico com mais de oitocentas páginas consegue manter a atenção do autor que vai alimentando a sua sede de leitura desde a primeira página até à última. O Vale dos Cinco Leões (2011) não foi uma excepção. É certo que não se trata de uma trilogia como o primeiro. Trata-se de um livro isolado, também ele escrito em forma de romance histórico, mas que ao em vez de se focar nos detalhes históricos acerca da Guerra do Afeganistão (1979 - 1989) ocorrida durante a Guerra Fria foca-se mais no romance, nas mentiras e intrigas.

Jane é uma interprete Inglesa a trabalhar e a viver em França onde vive uma fabulosa e excitante história de amor com um homem mais velho e Americano. Contudo, um dia Jane descobre que afinal o homem por quem se apaixonou era uma farsa a começar pelo nome e a acabar na profissão pois afinal Ellis não era um mero Poeta, mas antes um espião da CIA. Por este motivo aceita a proposta do seu amigo e médico Francês Jean-Pierre de ir viver durante dois anos para o Afeganistão onde ajudaria e trataria dos feridos que lutavam contra o invasor Russo. Jean-Pierre de amigo passa a amante e de amante a marido e juntos acabam por ter uma bebé no Afeganistão. Jane que achava que apesar de tudo até tinha uma boa vida pois vivia ao lado do homem que amava e ajudava-o a tratar dos feridos e até tinha conseguido fazer algumas amizades no meio do mulherio descobre, certo dia, que fora enganada pela segunda vez. Condenada a uma vida amorosa atribulada descobre que o seu marido é o causador de tantas mortes e feridos de afegãos visto que este não se trata de um mero médico como também se trata de um espião que vai fornecendo informações relevantes ao KGB. É a partir desse momento (apesar de eu achar que a sova que ela apanhou do marido também ter ajudado) que Jane quer desesperadamente sair do Afeganistão e voltar para casa, no entanto sozinha e sendo mulher tratar-se-ia não só de uma tarefa difícil de concretizar como também seria uma tarefa suicida visto que teria de fazer um longo caminho a pé e de passar por aldeias onde os aldeões não seriam muito simpáticos assim que vissem uma mulher sozinha por aquelas bandas. Por isso vai ficando, pelo menos até ao dia em que Ellis surge no Vale dos Cinco Leões para desempenhar uma missão da CIA e a chama do amor é reacendida e decidem fugir juntos por um caminho que não lembra a ninguém e cujas descrições causam-me arrepios. Volta e meia uma pessoa fica com o coração nas mãos porque para além de irem por um caminho que não lembra a ninguém ainda estão a ser perseguidos pelo exercício Russo que quer torturar e matar o agente da CIA e por Jean-Pierre que quer a sua mulher de volta como se esta fosse propriedade sua. Serão Jane e Ellis capazes de sobreviver à longa caminhada que têm pela frente ao mesmo tempo que têm de enfrentar caminhos íngremes onde a possibilidade de se perderem é altíssima? e a bebé, sobreviverá? ou serão apanhados pelo exercício Russo ficando condenada a possibilidade de um fresco recomeçar? será Ellis capturado e torturado pelo KGB? e Jane, o que lhe acontecerá? Para saberem mais pormenores e como a história acaba, lamento, mas terão mesmo que ler o livro.

10.5.15

As amigas da Raspberry também andam a contar os dias!


"Vens dia dezasseis?" - perguntou-me ela. Disse-lhe que sim. No final disse-me "O meu coração palpita de felicidade". Sorri. De orelha a orelha. 

Compras | Os novos habitantes chegaram!

Sempre gostei muito de ler, mas nunca comprei tantos livros como os que já comprei desde que me mudei para Inglaterra. Aqui consigo comprar montes de livros por um preço absurdamente baixo quer seja através do ebay quer seja através de outros sites como o World of books. Raramente são novos, mas que importância é que isso tem quando os livros se encontram em bom estado notando-se apenas as marcas de leitura que nem o leitor mais cuidadoso consegue fazer com elas não surjam nos seus livros? Ontem chegaram mais seis: três meus (aqueles três que se encontram em cima) e três dele (os três últimos). No fundo são todos nossos porque eu acabarei por ler os dele e ele acabará por ler os meus!   


9.5.15

Livros | Do que se tem andado a ler por estes lados



" — Atacou-os... atacou homens armados com espingardas... atacou-os com a faca! A faca que o pai lhe deu! O rapaz com uma só mão está agora, de certeza, no paraíso dos guerreiros. 

Morrer numa guerra santa era a maior das honras para um muçulmano, recordou-se Jane. O pequeno Mousa transformar-se-ia provavelmente numa espécie de santo. Ainda bem que Mohammed tinha esse conforto, mas não podia deixar de pensar, com um certo cinismo, que era assim que os homens sanguinários acalmavam as consciências: falando de glória."

O Vale dos Cinco Leões por Ken Follett

8.5.15

Crónicas de uma vida a dois


Sexta-feira é sinónimo de Doritos e pizza no sofá enquanto vemos vários episódios seguidos das séries que ambos acompanhamos ou então vemos um filme. Para hoje temos planeado ver os três últimos episódios da terceira temporada de Vikings! 

Viver no Reino Unido | Diz que ontem foi dia de eleições



Ontem foi dia de ir exercer o meu direito ao voto em terras de Sua Majestade e apesar de esta ter sido a segunda vez que o fiz acho que nunca me hei-de habituar ao facto de ninguém me pedir qualquer tipo de documento de identificação na altura que vou buscar o boletim de voto bastando dizer a morada e o nome assim como nunca vou perceber por que raio é que o voto é feito a lápis e não a caneta. 

[Tanta merda para abrir conta no banco e outras coisas em que insistem que é preciso passaporte e o caraças e na hora do voto basta dizer o nome e a morada...]

7.5.15

Por outro lado... [Ainda acerca da publicação anterior]



não tens ninguém que te esteja sempre a perguntar "Ainda não fizeste isto? Não sei do que estás à espera!" quando andas a adiar uma determinada tarefa. Em vez disso levas com um "olha para isto, vá, vamos arrumar..." ou então levas com a tua voz interior a dizer-te "se não passares hoje o cesto da roupa, amanhã terás mais, tens a certeza que é isso que queres?" ou então levas com a voz da outra pessoa que percebe a tua dor e diz "também não quero, fazemos isso mais logo".  

Pessoal | Quando sais de casa dos papas



Quando deixas de viver em casa dos teus pais e passas a viver sozinho ou com outras pessoas passas a dar automaticamente mais valor a todas as coisas que costumavam ser feitas pela tua mãe e/ ou tratadas pelo teu pai e pelos dois. Com isto não quero dizer que enquanto vivia com os meus pais limitava-me a fazer zero em casa. Não, mas as minhas tarefas basicamente resumiam-se a ter de arrumar a cozinha à hora do almoço na altura das férias ou quando só tinha aulas à tarde, a alimentar as gatas e a mudar a areia da sua "sanita" e a limpar o pó do meu quarto e da sala e muito ocasionalmente e quando a minha mãe estava muito ocupada ou cansada fazia o sacrifício de passar a roupa a ferro. No entanto, se havia alturas em que me queixava das tarefas que tinha para fazer, agora desde que vim viver com o namorado dei-me conta que afinal o que eu fazia nem equivalia a metade do que há para fazer numa casa. 

Foram várias as coisas que mudaram e que tive de passar a fazer desde que passei a viver com o meu namorado, entre elas contam-se:

1. Se tivermos fome e se quisermos manter uma alimentação saudável temos de ser nós a cozinhar. 

Até sair de casa dos meus pais era raro o dia em que tinha de cozinhar. Apenas cozinhava quando a minha mãe se lembrava de cozinhar carnes estranhas e de fazer bacalhau à gomes de sá e em alturas de festa já que a minha mãe nunca teve paciência para fazer pratos mais elaborados. Agora, desde que saí de casa deles que passei a perceber que pior do que ter de cozinhar todos os dias só mesmo o facto de termos de planear o que se vai fazer em cada dia e mesmo assim existem alturas em que dás por ti a pensar que nas últimas semanas sempre que fizeste frango foi das duas uma: ou foi frango grelhado com arroz de ervilhas ou foi frango grelhado com massa de alho com cogumelos e tomate. Não que me esteja a queixar (pelo menos não muito) já que eu adoro cozinhar.

2. Há sempre louça para lavar.

Cá em casa temos uma regra: quem cozinha não lava a louça e como eu odeio lavar louça acabo sempre por ser eu a cozinhar. 

3. Há sempre roupa para lavar. SEMPRE! E SE HÁ ROUPA PARA LAVAR HAVERÁ ROUPA PARA PASSAR A FERRO. SEMPRE! TODAS AS SEMANAS! 

A minha mãe nunca confiou em mim para lavar a roupa e como tal nunca se deu ao trabalho de me ensinar a mexer na máquina de lavar dizendo-me só que 1. nunca uses lixívia em roupa de cor a não ser que a queiras às manchas; 2. Separa a roupa clara da escura; 3. Cuidado com as peças vermelhas que às vezes largam tinta e estragam tudo; 4. Lava à mão a tua roupa interior (a dele vai para a máquina que se lixa) para que ela tenha uma vida mais longa.
Se quando tive de ligar a máquina da roupa pela primeira vez fiquei ligeiramente chateada por ela nunca me ter ensinado a mexer naquela quantidade absurda de programas e botões hoje já a desculpei. Contudo, quando tenho de passar a roupa a ferro tenho muitas saudades da minha mãe e é nessa altura, mais do que nunca, que eu me apercebo da falta que ela me faz. 

4. Todas as semanas é preciso ir ao supermercado. 

Pior do que ter de ir ao supermercado todas as semanas só mesmo o facto de o supermercado para além de ter corredores estreitos ainda teres de levar com pessoas que não sabem para onde querem ir e que deixam os carrinhos de compras no meio do corredor. 

5. As contas nunca mais acabam.

6. Se queres a casa limpa e arrumada ou fazes tu ou tens de pagar para ter quem faça.

Por cá somos os dois a arrumar e a limpar a casa e até que se tem tornado numa tarefa divertida. 

5.5.15

Exercício Físico | Correndo o risco de me acharem maluquinha digo-vos que...


há duas coisas que adoro quando faço exercício: uma delas é ficar toda suadinha assim que acabo de fazer uma aula e a outra é que adoro sentir aquelas dores musculares horrorosas no dia seguinte. Porquê? Bem, porque são duas coisas que me fazem sentir que trabalhei bem e que dei tudo por tudo e que mais cedo ou mais tarde os resultados estarão à vista! 

Ando tão viciada nesta música


Carly Rae Jepsen, I really like you

Além de que também adoro a performance do Tom Hanks, mais alguém? 

4.5.15

Viver no Reino Unido | Dos cafés daqui da zona



Certo dia perguntaram-me se aqui existia cafés como aqueles que existem em Portugal ao virar de cada esquina onde podemos facilmente pedir um galão e uma torrada ou um croissant ou um mil folhas com um Sumol de ananás. Respondi que não e até hoje penso que não menti. Não é que aqui não existam cafés, mas os que há têm um conceito completamente diferente dos daqueles que encontramos em Portugal. Já para não falar da inexistência de diversas iguarias o que é completamente normal já que não estamos em Portugal. 

Podemos não ter o café típico de Portugal, mas temos o Costa, o Starbucks e o Caffè Nero onde podemos tomar um dos vários tipos de café que eles têm por cá naqueles copos grandalhões que me sabem a café deslavado, mas dos quais eles gostam muito. Podemos não ter mil folhas nem pastéis de natas, mas nestes locais não faltam folhados nem sandes de vários tamanhos e sabores. Pessoalmente não gosto muito nem do que se come nem do que se bebe nestes espaços, mas gosto muito dos espaços em si. Nestes locais não temos mesas com quatro cadeiras, mas antes sofás e cadeirões super confortáveis e convidativos a uma animada conversa com o nosso grupo de amigos ou então a uma tarde solitária na companhia do livro que andamos a ler no momento. 

Também temos pequenas e bonitas pastelarias que fogem ao conceito dos cafés que falei em cima e que se aproximam das nossas pastelarias chiques e alternativas. Nestas podemos encontrar bolos muito bonitos e saborosos carregados tanto de calorias como de vários tipos de recheios. Há bolos para todos os gostos: temos as pastelarias requintadas e depois temos aquelas que têm aqueles bolos toscos e rústicos que eu tanto gosto e que se assemelham aos bolos que qualquer pessoa consegue fazer em casa, mas que nas pastelarias custam os olhos da cara (cerca de quatro libras, coisa pouca). 

Contudo, do que eu gosto mesmo, mesmo, mesmo assim à séria é do facto de na maioria dos casos existir uma mesa corrida na montra dos cafés onde as pessoas se podem sentar e ficar viradinhas para a rua e ver as pessoas a passar. Disso sim, eu gosto! Chamem-me cusca a ver se me importo... 

Livros | Acerca do que se tem andado a ler por estes lados



Enquanto andava no secundário não consegui ler os dois livros de leitura obrigatória para as aulas de Português. Não sei se me terei deixado influenciar em demasia pelo que ouvia, mas a verdade é que nenhum deles conseguiu cativar-me e prender-me minimamente ou talvez tenha sido a palavra "obrigatório" que me levou por outros caminhos recorrendo antes a resumos do que à leitura propriamente dita. 

Contudo no ano passado na altura em que a minha avó morreu e eu fiquei cerca de um mês em Portugal em casa dos meus pais a ajudar a minha mãe no que era preciso e em que era estranho permanecer naquela casa que não era só a casa dos meus pais, mas também a casa onde a minha avó passou a viver desde o dia em que se divorciou do meu avô algo mudou. Como tentativa de distracção e não tendo mais nenhum livro para ler comecei a ler os Maias de Eça de Queirós e em cerca de dois dias já tinha devorado umas duzentas páginas e por mais incrível que possa parecer adorei lê-lo e no final cheguei à conclusão que o livro não era assim tão aborrecido como tinha julgado na adolescência. Agora foi a vez de ler o Memorial do Convento de José Saramago e este sim, custou mais a ler do que os Maias talvez porque tenha escolhido uma má fase para o ler, não sei. No entanto, apesar de haver partes em que o achei aborrecido e interessante ao mesmo tempo no geral gostei muito de o ler.

1.5.15

E quantidade de vezes que isto já me aconteceu?*


Mais alguém?


* quando vivia em Portugal e convivia diariamente com três gatas carentes.

Viver no Reino Unido | Dos feriados



Enquanto que em Portugal e em muitos outros países hoje é feriado comemorando-se assim o Dia do Trabalhador em terras de Sua Majestade o feriado será apenas na primeira segunda-feira de Maio (dia quatro de Maio) que marca o início da época de Verão e da fertilidade (tem origem num festival pagão, segundo o que andei a ler), mas mais recentemente também passou a ser o dia em que se comemoram os direitos dos trabalhadores.