9.12.16

A vida em compasso de espera


Ser adulto é perceber que há certas fases da vida que têm de ser vividas em silêncio mesmo que a nossa cabeça consiga ser o local mais barulhento do Universo. Ser adulto é ter a capacidade de passar por alturas assustadoras sem partilhar o que está a acontecer com quem mais amamos porque há certas coisas que têm de ser vividas unicamente por nós já que de nada vale preocupar (ainda mais) quem já preocupado está. Ser adulto não é fácil. Esconder coisas também não. Esperar por respostas muito menos. 


30.11.16

Pessoal | A minha mãe e as suas dicotomias

Eu e a minha mãe temos muitas semelhanças, mas depois há coisas que nos separam e que nos colocam em lugares totalmente opostos. A minha mãe é daquelas pessoas que reclama muito e várias vezes acerca do facto de o meu pai pouco fazer em casa. Reclama essencialmente do facto de ele não cozinhar nem de lavar a louça e outras vezes reclama por ele não fazer uma série de coisas que acha que ele deveria fazer por vontade própria, mas só faz quando ela lhe pede para o fazer e que no final o veredicto acaba sempre por ser negativo. O meu pai justifica-se dizendo que não faz porque já sabe que no final ela irá dizer-lhe que fez mal e que, mais cedo ou mais tarde, ela acabará por fazer as coisas uma segunda vez, mas desta vez à sua maneira. 

Outra coisa que a minha mãe faz é reclamar das coisas que eu não faço, mas que devia fazer porque supostamente tenho mais tempo livre do que o meu namorado. Reclama do meu pai não lavar a louça, mas acha que eu - por ter mais tempo e logo estou menos cansada do que o meu namorado - devia não só cozinhar como também deveria lavar a louça em vez de optar por aquilo que surgiu de forma bastante natural sem que nenhum de nós tivesse alguma vez de dizer ao outro o que deveria ou não fazer. Cá em casa quem cozinha não lava a louça. Ponto. A minha mãe também acha que eu - mais uma vez por ter mais tempo livre - deveria limpar a casa sozinha em vez de esperar pelo fim-de-semana para a limpar com o meu namorado que coitadinho precisa muito de descansar. No entanto, há outros dias em que diz que tenho muita sorte por ter alguém ao meu lado que me ajuda e que não tem problema nenhum em partilhar sem reclamar as várias tarefas domésticas que têm de ser feitas diariamente.  

No fundo, a minha mãe é aquele tipo de pessoa que acha que o marido deveria ajudar mais nas tarefas domésticas, mas que ainda não conseguiu ultrapassar aquele sentimento do antigamente em que essas tarefas diziam respeito unicamente à mulher.  

28.11.16

It's Christmas Time | Presentes que se comem #2 (Salame de Chocolate)

As publicações "Presentes que se comem" começaram de forma bem simples e saudável, mas hoje vão sofrer uma pequena reviravolta. O simples e a rapidez com que se faz irão continuar a estar presentes, quanto ao saudável é que já tenho as minhas duvidas. 

A sugestão de hoje é o belo do salame de chocolate. Quem não gosta deste doce do demo? Bem sei que este não é daqueles doces que têm a capacidade de agradar a gregos e a troianos e que só os mais fortes conseguem comer uma fatia atrás da outra sem se agarrarem à barriga enquanto se queixam de como estão enjoados. Sempre que o faço lembro-me da minha melhor amiga que é das poucas pessoas que conheço que acha completamente compreensível que pessoas como ela e como eu não se deixem ficar por uma só fatia, nem por um único ovo mole, nem por um único quadrado de chocolate sempre que a vontade de comer chocolate aperta... Portanto, este é o "presente que se come" perfeito para os vossos familiares e amigos mais gulosos.  


Para fazerem o salame de chocolate vão precisar de: 180g de manteiga sem sal, 150g de açúcar amarelo, 150g de cacau em pó, 1 ovo e 200g de bolachas digestivas ou de bolacha maria.

Preparação:
Numa taça de tamanho médio bater a manteiga com o açúcar amarelo até obter uma massa esbranquiçada. Adicionar o ovo e o cacau em pó e misturar tudo muito bem. Por fim juntar as bolachas partidas previamente aos pedaços à massa. 
Por último, colocar a massa numa folha de papel de estanho e com a ajuda das mãos amassar o preparado de modo a que este fique em forma de rolo. Levar ao frigorífico pelo menos durante 6 horas antes de servir. (Conservar no frigorífico até a altura de o oferecerem).

Relacionados:
It´s Christmas Time | Presentes que se comem #1 (Granola caseira)

25.11.16

Aquele momento em que...

decides comprar os bilhetes para o concerto do Bruno Mars (4 dias depois destes ficarem à venda) e descobres que a maior parte dos bilhetes já esgotou e os que existem são tão escandalosamente caros que por momentos rendes-te à evidência e ficas 5 minutos a insultar-te a ti própria


mas depois eis que o teu namorado salva o dia e diz "Há bilhetes relativamente baratos para o concerto dele em Copenhaga!" e tu ficas desde então com o seguinte estado de espírito:



Agora imaginem-me toda histérica a dizer "Ainda nem acrediiito que vou ver o Bruuuno Mars Aaaaahhhhh (e visitar uma cidade que ainda não conheço)!" 

24.11.16

It's Christmas Time | Para surpreender #1 (Bolo Floresta Negra com recheio de frutos silvestres)

Falta precisamente um mês para a noite mais mágica do ano. Falo obviamente da noite de Natal e por isso hoje trago-vos uma receita que é simplesmente de babar e de chorar por mais. Faz precisamente dois anos que a fiz pela primeira vez e desde então que a tenho repetido em alturas especiais e até hoje não houve um único dia em que este bolo não tenha sido um autêntico sucesso.

Inicialmente era apenas um bolo rico de chocolate que costumava rechear e cobrir com chantilly, mas há dois anos atrás pensei que isto às tantas era capaz de ficar ainda melhor se fizesse um recheio de frutos silvestres e se o cobrisse com chocolate. Claramente esta foi das ideias mais brilhantes que tive na minha vida.



Bolo Floresta Negra com recheio de Frutos Silvestres

Ingredientes:
Para o bolo: 5 ovos (separar as claras das gemas); 120g de manteiga a temperatura ambiente; 35g de chocolate em pó; 130g de chocolate negro (pelo menos com 35% de cacau); 150g de açúcar; 130g de farinha + 1 colher de chá de fermento; 3 colheres de sopa de leite;

Para o molho de frutos silvestres: 150g de frutos silvestres (comprei congelados e descongelei antes de usar); 50g de açúcar;

Para o recheio de frutos silvestres: 150g de frutos silvestres (comprei congelados e descongelei antes de usar); 50g de açúcar; 10g de manteiga; 1 colher de sopa de água; 30ml de natas; 1 ovo batido;

Para a cobertura de chocolate: 200ml de natas; 100g de chocolate de culinária;

Para decorar: mistura de alguns frutos silvestres (na foto usei as sobras dos frutos congelados, mas normalmente opto por usar frutas frescas: framboesas, mirtilos e amoras).

Preparação:
Bolo: Derreter o chocolate em banho-maria. Untar um tabuleiro que possa ir ao forno com manteiga, forra-lo com papel vegetal e unta-lo novamente com um pouco de manteiga. Pré-aquecer o forno a 180º.  Numa taça misturar a farinha, o fermento e o chocolate em pó. Separar as gemas das claras e bater com a batedeira as claras em castelo (estão prontas quando se formarem picos bem firmes). À parte juntar a manteiga e o açúcar, bater até obter uma mistura pálida e fofa. Juntam-se as gemas, o leite e o chocolate derretido até que tudo esteja muito bem misturado. Aos poucos e sem usar a batedeira vai-se juntando a mistura da farinha (costumo, no final, usar a batedeira só por alguns segundos de forma a ter a certeza de que não existem bocados de farinha). Por último, juntar as claras. Misturar tudo e levar ao forno durante 20 a 30 minutos (rodar o tabuleiro a meio da cozedura). O bolo está pronto quando assim que se fizer o teste do palito (enfiar um palito no centro do bolo) ele sair seco. Com o bolo completamente arrefecido acertar as bordas e cortá-lo ao meio em metades iguais. 

Molho de frutos silvestres: Colocar todos os ingredientes num tacho e levar ao lume. Assim que levantar fervura retirar do fogão, triturar com a varinha mágica e coar. 

Recheio de frutos silvestres: Num tacho juntar a água, a manteiga, o açúcar e os frutos silvestres. Quando começar a ferver juntar as natas e mexer bem. Retirar do lume. Para que o ovo não talhe reservar à parte um pouco do recheio. Numa tigela bater o ovo, juntar o preparado que reservou e mexer tudo até ter uma mistura homogénea. Juntar a mistura do ovo ao resto do preparado e levar novamente ao lume. O recheio está pronto assim que o creme começar a engrossar. 

Cobertura de chocolate: Colocar as natas num tacho (já estão a pensar na quantidade de louça que vão ter de lavar no final, não estão? Percebo, mas garanto-vos que irá valer a pena!) e deixa-las levantar fervura em lume brando. Retirar do fogão, juntar o chocolate partido aos pedaços e mexer até que este fique completamente derretido.  

Montagem:
Eis que chegamos à minha parte preferida! A montagem é fácil, mas tem de ser feita com alguma calma e sem grandes preocupações acerca se está a ficar bonito ou não. Acreditem em mim quando vos digo que enquanto estou a montar qualquer bolo acho sempre que está a ficar horrivel, mas no final quando está tudo pronto e no devido lugar olho e percebo que afinal até nem está nada mal! 

Em primeiro lugar colocam no prato de servir uma das metades do bolo. Regam-na com um pouco do molho de frutos silvestres e não se esqueçam de regar a outra metade também. Na metade de bolo que está no prato espalhem abundantemente o recheio e depois coloquem por cima a segunda metade. Não se preocupem se o recheio começar a sair pelas bordas do bolo. Pessoalmente adoro ver o próprio bolo a "babar-se" :) Depois é só colocar a cobertura de chocolate em cima da segunda metade. Se virem que não vale a pena usarem toda a cobertura guardem-na no frigorífico até 5 dias. Podem usá-la em outros bolos ou em panquecas por exemplo.  Para tornarem o vosso bolo ainda mais bonito no topo coloquem algumas das frutas que vos tenham sobrado. 

Espero que gostem! Se experimentarem não se esqueçam de me vir dizer como correu. Aproveitem e tirem uma foto e enviem-na para o meu email (sweetraspberry59@gmail.com) porque sim, sou uma curiosa assumida!